O jornalista André Trigueiro é autor de "Espiritismo e Ecologia", publicado pela Editora FEB. Publicarei em breve algumas notas sobre o tema "ecologia social" e sua relação com o "pensamento social espírita".
Os debates nesta comunidade girarão em torno do conteúdo doutrinário. Mas, buscarão uma aproximação com a obra do pensador espírita argentino Manuel Porteiro.
Porteiro defendia em sua Obra Espiritismo Dialético que "não há ciência nem filosofia que, no curso de sua evolução, não sofra modificações, não mude em algum de seus conceitos e nos limites do conhecimento à medida que este se faz mais extensivo, mais claro, compreensível e mais ajustado à verdade essencial que encarnam os fatos ou fenômenos estudados".
Entre as obras de Porteiro destacam-se 1) Espiritismo Dialético, 2) Origem das Idéias Morais e 3) Conceito Espírita de Sociologia. Todas disponíveis na comunidade.
Conto com a adesão dos leitores deste blog que, assim como eu, indentificam-se com a Doutrina Espírita, mas esperam algo além do mero religiosismo. Afinal, a doutrina codificada por Allan Kardec também é "é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal".
A figura de Manuel S. Porteiro, pai da Sociologia Espírita, marca toda uma etapa dentro do movimento espírita argentino e hispano-americano.
Alma sensível e pura, Porteiro representa, pelas qualidades morais que formaram sua personalidade, por sua ampla formação cultural, pelo valor e vigor com que assumiu sua militância nas fileiras espíritas, chegando ao extremo do sacrifício físico no cumprimento de suas tarefas idealistas, esse arquétipo do Homem Novo que o Espiritismo logra produzir quando é compreendido e vivido plenamente.
Inspirado em Kardec e atendendo às exigências de renovação que o progresso impõe, ofereceu à doutrina espírita um arsenal científico e filosófico à altura dos tempos que viveu, mediante numerosos trabalhos escritos em jornais, revistas espíritas e conferências magistrais, assim como nos seus três magníficos livros que deixou para a posteridade: Espiritismo Dialéctico, Concepto Espírita de la Sociología e Origen de las Ideas Morales.
Desenvolveu a doutrina kardecista em suas naturais conseqüências sociais, com tal maestria, que podemos indicá-lo sem vacilações como o pioneiro do Espiritismo Sociológico do qual ainda hoje continua sendo seu mais alto representante.
O mérito de aplicar com o maior rigor a concepção dialética à Doutrina Espírita coube portanto a Porteiro, onde desenvolveu os fundamentos científicos da cosmovisão espírita, o conceito dinamogenético da vida e da história, afirmando a evolução biológica e espiritual do homem e das espécies, comprovando a continuidade biopsíquica dentro do processo de reencarnação e descortinando a relação entre determinismo histórico e a lei de causalidade espírita.
Porteiro provou em sua obra que somente a concepção reencarnacionista da vida é plenamente dialética e que a afirmação de Kardec: "Nascer, morrer, renascer e progredir sempre. Essa é a lei" é a mais genuína expressão da equação dialética, posto que a Tese (nascimento) se opõe a sua Antítese (morte) e somente se resolve e adquire sentido pela Síntese do Renascimento ou Reencarnação. Assim faz-nos compreender que a dinâmica das mudanças presente em toda a realidade se impulsiona na luta dos contrários dentro da conhecida fórmula de uma Tese que se contrapõe a uma Antítese resolvendo-se em uma Síntese superior.
Apoiando-se na Lei de Causalidade espírita, Porteiro relacionou o Ser espiritual com o Ser biológico e o Ser social dando a importância precisa que cada uma dessas dimensões possui. Superando o formalismo de um espiritismo rotineiro e místico o espírito dialético de Porteiro mostrou entre corpo e espírito, entre o homem e a vida uma relação ampla, dinâmica e aberta.
Desenvolveu sua tese sobre uma visão na qual o homem é testemunha e protagonista de um drama cósmico que o situa transitoriamente em determinada escala do Universo. O homem humaniza a natureza e espiritualiza a vida ao humanizar-se e espiritualizar-se a si mesmo.
Publicado na Revista Cristã de Espiritismo, edição 04.
Na última semana foram duas polêmicas envolvendo o Espiritismo. A primeira com os jogadores do Santos Futebol Clube que se recusaram a entrar em instituição espírita para distribuição de ovos de páscoa. Os atletas merecidamente foram criticados pela opinião pública. Sem querer fizeram o espiritismo entrar na mídia esportiva. Foram debates acalorados em diversos programas e até rasgados elogios do comentarista Neto, da TV Bandeirantes, ao nosso querido Chico Xavier.
Como pode perceber o caro leitor, o feitiço virou contra o feiticeiro. A segunda e mais recente polêmica refere-se a ingênua reportagem da revista SUPERINTERESSANTE tentando desmerecer a figura notável de Chico Xavier. Obviamente não obtiveram êxito. A vida de Chico é um hino à verdade. Sem contar que o médium mineiro é cidadão do mundo, amado pelas pessoas independentemente de religião. Prova disso é o sucesso do filme sobre a sua vida que vem lotando os cinemas do Brasil. Chico é muito maior que essas querelas. Constatamos que o editor e a jornalista da SUPERINTERESSANTE foram muito inocentes na elaboração da matéria. Não pesquisaram e expuseram-se ao ridículo.
Sempre digo aos alunos: Vai estudar, menino! Vai estudar pra não falar besteira! Os responsáveis pela revista falaram muita besteira.
Aconselho-os: Vão estudar, vão estudar pra não escrever besteiras!
Os espíritas naturalmente mostraram indignação diante de tamanhas abobrinhas. Richard Simonetti, um dos grandes pensadores espíritas da atualidade, tratou de jogar luz no assunto e elaborou esclarecedora carta ao editor da revista. A manifestação do escritor bauruense está “voando baixo” pela internet. Alamar Régis e outros espíritas também manifestaram a opinião de forma contundente contra a reportagem.
Excelente essas manifestações, pois vemos a Doutrina Espírita recebendo atenção. Certamente inúmeras pessoas irão ler sobre as polêmicas e buscar verificar quem está com a razão. Quem sabe surgirão mais estudiosos das leis da vida tão bem explicadas pela espiritualidade.
A propósito, lembro-me de um comentário de Kardec que consta na obra Viagem Espírita em 1862. Narra o codificador que um pregador aventurou-se na tribuna e sem piedade levantou vozes contra o espiritismo. Pregava entusiasmado: Espiritismo é coisa do demônio! Doutrina anti cristã!
No entanto, a platéia que o escutava jamais ouvira falar de Doutrina Espírita. O desavisado pregador atiçou a curiosidade das pessoas presentes na platéia para conhecer o tal de Espiritismo. Conta Kardec que algum tempo depois naquele local nascia um grupo de estudos para conhecer a Doutrina Espírita que fora tão mal apresentada pelo orador.
As críticas infundadas e os absurdos que atualmente algumas pessoas cometem contra o Espiritismo irão alçá-lo cada vez mais ao patamar de destaque que merece, porquanto os críticos serão combatidos e surpreendidos em suas incoerências por estudiosos da doutrina codificada por Allan Kardec que, diga-se de passagem, jamais se calarão ante asneiras proferidas por palpiteiros de plantão.
Os atletas do Santos e jornalistas da SUPERINTERESSANTE obviamente não sabem que em sua ignorância, à semelhança daquele pregador desinformado, abriram mais janelas para a penetração das idéias que tentaram combater. Pela excelência de seus princípios o Espiritismo entrará por essas brechas abertas pelos desavisados, quer eles queiram ou não.
Acabo de ler: “A doutrina da reencarnação é a meu ver a maior expressão da justiça. A reencarnação não é castigo, é oportunidade de evolução.”
Miguel Reale Jr.
A frase acima foi extraíde de um texto publicado no jornal O Estado de São Paulo, em 3 de janeiro de 2009, no qual, sob o título “Razão e religião”, expôs as mudanças conceituais de Cesare Lombroso, cuja centenário de desencarnação ocorre em 2009, provocadas pelo estudo do espiritismo. Lombroso notabilizou-se pela formulação da hipótese de que o criminoso seria fruto de um atavismo, demonstrado em suas feições físicas.
Na entrevista, Miguel Reale Júnior revela que frequenta reuniões mediúnicas há 30 anos, dá dados e raízes familiares em torno do meio, outras de ordem política e fala de sua atuação no campo do direito e especificamente da luta para levar a justiça a maior número de brasileiros.
“Venho lutando para se dotar os presídios de oficinas de trabalho, a fim de que o preso possa sentir que, se perdeu a liberdade, não perdeu a dignidade, a ser mantida pelo trabalho”, diz. Acrescenta que: “A evolução espiritual não encontra terreno fértil no meio prisional, onde vigora a lei do cão, dos chefetes de cadeia, enquanto o regulamento administrativo e a Lei de Execução Penal são apenas para “inglês ver”.
O texto de Reale Júnior publicado no “Estadão” circulou na lista da Confederação Espírita Pan-Americana (Cepa), junto a especulações sobre o conhecimento do espiritismo demonstrado pelo autor. Instigado pelo inusitado fato, considerando o renome nacional do autor e em vista do veículo utilizado, um dos maiores jornais do país, tido como conservador no trato com o espiritismo, José Rodrigues, um dos coordenadores do site Pense - Pensamento Social Espírita, manteve contatos via e-mail com o jurista. Sua aceitação foi de pronto e sem restrições. Das dez questões dirigidas ao entrevistado, sete foram elaboradas por José Rodrigues e três por Milton Medran Moreira, procurador da justiça aposentado e ex-presidente da Cepa.
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