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Gestor público, publicitário, especialista em Sociologia, com extensão em políticas públicas e jornalismo de políticas públicas... Perfil Completo
Mensagem do dia 18/08/2011 11h48

Aprendi a não tentar convencer ninguém. O trabalho de convencer é uma falta de respeito, é uma tentativa de colonização do outro. 

(José Saramago)
Insight, de Bernard Lonergan
07/07/2014 13h12 - em Círculo Umanisté de Estudos
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Insight: Um Estudo do Conhecimento Humano
por Bernard Lonergan, Editora É Realizações

Sinopse. Insight: Um Estudo do Conhecimento Humano é a obra-prima do filósofo canadense Bernard Lonergan, agora traduzida para língua portuguesa no âmbito de um projeto de investigação do CEFi, Centro de Estudos de Filosofia, da Universidade Católica Portuguesa, patrocinado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia. A intenção de Insight é colocar cada um de nós diante do próprio conhecimento.

O livro está estruturado para responder a duas questões: 1) O que sucede quando conhecemos e 2) O que conhecemos quando isso sucede. A resposta à primeira questão viabiliza uma teoria cognitiva e uma epistemologia (cap. 1-10). O
capítulo 11 serve de enlace para a segunda questão cuja resposta origina uma metafísica (cap. 12-17). Os últimos capítulos estabelecem a possibilidade da ética (cap. 18) e da teologia (cap. 19-20). Todo o livro é um exercício de apropriação intelectual em que se trata de aprender a distinguir entre tipos diferentes de conhecimento e discernir o seu respectivo alcance. 

Leia o capítulo "
A Auto-afirmação do cognoscente", Cap. 11, no Lusofonia.

Para comprar o livro, clique
aqui

O vídeo na sequência, contém trecho que integra do DVD "INSIGHT" que acompanha a obra "
Bernard Lonergan e o Insight".



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OPAS: Um câncer na saúde pública!
19/06/2014 22h33 - em Meus pitacos
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Mais um escândalo na saúde?

Um 'pequeno' escândalo de corrupção protagonizado por uma consultora terceirizada do Ministério da saúde precisa ser olhado de modo mais minucioso, pois há muito mais não dito do que dito nisso tudo.

Foi divulgado na imprensa, no último dia 18, um vídeo onde uma “consultora técnica” do Ministério da Saúde, Roberlayne Patrícia Alves, é presa pela Polícia Federal no Mato Grosso do Sul, no momento em que recebia propina de um diretor de Hospital para liberação de recursos para equipar uma unidade especializada em tratamento oncológico. Os recursos eram da ordem R$ 2,6 milhões. (
Leia mais... )

Vejam o vídeo:
 


O fato em questão coloca em evidências duas coisas. A primeira, bastante visível, não e nova para ninguém: a nossa saúde pública está doente e sofre de uma mal crônico que tem muitos nomes. Podemos sugerir corrupção, descaso, incompetência etc. A segunda, que certamente passará despercebida aos olhos do cidadão comum: Roberlayne é uma contratada terceirizada pela Organização Pan-americana de Saúde (OPAS) como dezenas – talvez centenas – em todo o Governo e, especial, no Ministério da Saúde. A OPAS, para quem não sabe, é ligada à Organização Mundial de Saúde (OMS); o que faz desse escândalo algo maior do que parece.

O que isso tem a ver com o fato em si? Muita coisa. É claro que um servidor concursado também poderia estar envolvido em atos de corrupção, mas não tem como compararmos o rigor que existe para se contratar um servidor com o modo opaco e sem grandes critérios como uma consultora OPAS é contratada. Ou alguém conhece algum processo seletivo transparente para se contratar um consultor da OPAS. Outra coisa: um servidor tem muito a perder, pois tem estabilidade, um salário bem acima da media da população e quase sempre um plano de carreiras que garante uma aposentadoria digna.

O que tem a perder um terceirizado pela OPAS? Apenas para exemplificar, um dos contratos assinados entre a consultora, OPAS e Ministério da Saúde, no valor de R$ 28.000,00 (vinte oito mil reais), entre 14/11/2011 e 11/06/2012 (menos de sete meses) visava “Garantir a Cooperação e Assistência Técnica entre MS e a OPAS/OMS para viabilizar a implantação e qualificação do modelo de atenção condizente com os propósitos do SUS, buscando dar efetividade aos princípios pressupostos pela Lei orgânica da Saúde e apoiar o desenvolvimento de Tecnologias e instrumentos de fortalecimento da Atenção Básica no Brasil, através da estratégia da Saúde da Família e da Política Nacional de Alimentação e Nutrição”.

Notem que a ‘consultora técnica’ recebia mais ou menos R$ 4000,00 mensais. Esse valor, sem qualquer garantia trabalhista. Totalmente precário. Pelo menos é assim que o Ministério da Saúde do Partido dos Trabalhadores age com os terceirizados pela OPAS: burlando a lei trabalhista com contratos que não ultrapassem 11 meses, mas que são prorrogados por muito tempo. Segundo notícias, Roberlayne estava lá há aproximados três anos.

O fato da corrupção em si já é grave. Mas, o fato de ter acontecido pelas mãos de uma servidora terceirizada (e precária!) abre muitas perguntas e exige da sociedade organizada, dos órgãos de controle, dos jornalistas e dos próprios servidores um olhar mais atento e mais crítico sobre esse fato. Cabe ressaltar que enquanto a instituição multilateral (OPAS) recebeu cerca de R$ 1 bilhão em 2013, aos seis hospitais federais no Rio de Janeiro foi repassada apenas a metade desse valor: R$ 562,5 milhões (
Leia mais...).

O que está por traz dessa generosidade do Governo Federal com a OPAS? Esse escândalo não pode ser visto apenas como algo isolado, fruto da ambição de uma jovem profissional de saúde contratada de forma terceirizada. É preciso que essa relação do governo com a OPAS receba um olhar minucioso sobre todos os seus aspectos. Vale lembrar que até pouco tempo, servidores públicos eram beneficiados com diárias e passagens bem acima do valor que é pago pelo sistema oficial de passagens e diárias. 

A pergunta é: o que mais esse contrato do Ministério da Saúde com a OPAS esconde?

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Filme: O Enigma de Kasper Hauser
23/05/2014 23h42 - em Círculo Umanisté de Estudos
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Dica de Filme

No post anterior, recomendei um livro de Patrick Charaudeau - 
Linguagem e Discurso: modos de organização. O livro, gosso modo, trata da linguagem, seus atos e sua interrelacionalidade social sobre diversos enfoques nas artes e ciência, por exemplo.

Um dos ensaios aborda a relação entre linguagem, preceção, conhecimento. Para isso o autor serve-se do filme "O Enigma de Kasper Hauser", de Werner Herzog, que fala é um jovem que foi trancado a vida inteira num cativeiro, desconhecendo toda a existência exterior. Quando ele é solto nas ruas sem motivo aparente, a sociedade se organiza para ajudar Kaspar, que sequer conseguia falar ou andar, mas este logo acaba se tornando uma atração popular. Baseado em uma história real. 

Para Izidoro Blikstein (2003, p. 17),

"Conhecer o mundo pela linguagem, por signos linguísticos, parace não bastar para dissolver o permanente mistério e a perplexidade do olhar de Kasper Hauser. Talvez porque a significação do mundo deve irromper antes mesmo da codificação linguística com que o recortamos: os significados já vão sendo desenhados na própria percepção/cognição da realidade." (citado por Charaudeau)

Longa-metragem Assista o filme na íntegra (legendado):


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Num próximo post, tentarei desenvolver algumas linhas sobre o livro "Aquisição de Conhecimento", de Juan Ignácio Pozo, pela Ed. Artmed.

Bom filme!

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Linguagem e discurso: modos de organização
23/05/2014 22h10 - em Círculo Umanisté de Estudos
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Dica de leitura* 

por Patrick Charaudeau

A linguagem é própria do homem. Desde a Antiguidade que os filósofos o repetem, o que vem sendo confirmado pelas ciências sociais através de suas análises e experimentos.

É a linguagem que permite ao homem pensar e agir. Pois não há ação sem pensamento, nem pensamento sem linguagem. É também a linguagem que permite ao homem viver em sociedade. Sem a linguagem ele não saberia como entrar em contato com os outros, como estabelecer vínculos psicológicos e sociais com esse outro que é, ao mesmo tempo, semelhante e diferente. Da mesma forma, ele não saberia como constituir comunidades de indivíduos em torno de um “desejo de viver juntos”. A linguagem é um poder, talvez o primeiro poder do homem.

Mas esse poder da linguagem não cai do céu. São os homens que o constroem, que o amoldam através de suas trocas, seus contatos ao longo da história dos povos. Assim, é forçoso considerar que a linguagem é um fenômeno complexo que não se reduz ao simples manejo das regras de gramática e das palavras do dicionário, como tendem a fazer crer a escola e o senso comum. A linguagem é uma atividade humana que se desdobra no teatro da vida social e cuja encenação resulta de vários componentes, cada um exigindo um “savoir-faire”, o que é chamado de competência. Uma competência situacional, pois não há ato de linguagem que se produza fora de uma situação de comunicação. Isso nos obriga a levar em consideração a finalidade de cada situação e a identidade daqueles (locutores e interlocutores) que se acham implicados e efetuam trocas entre si. Uma competência semiolingüística que consiste em saber organizar a encenação do ato de linguagem de acordo com determinadas visadas (enunciativa, descritiva, narrativa, argumentativa), recorrendo às categorias que cada língua nos oferece. Enfim, a competência semântica que consiste em saber construir sentido com a ajuda de formas verbais (gramaticais ou lexicais), recorrendo aos saberes de conhecimento e de crença que circulam na sociedade, levando em conta os dados da situação de comunicação e os mecanismos de encenação do discurso.

Esse conjunto de competências constitui o que se chama de competência discursiva, e é fazendo-a funcionar que se produzem atos de linguagem portadores de sentido e de vínculo social.

>> Visite o site com
textos traduzidos de Patrick Charaudeau.

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Sinopse: Este livro de Patrick Charaudeau - uma das maiores autoridades em Análise do Discurso do mundo - foi concebido especialmente para o leitor brasileiro. A obra traz concepções audaciosas e inovadoras, como a noção de ato de linguagem e os papéis dados aos diferentes sujeitos que dele participam. Charaudeau faz compreender como o ser humano tem acesso a informações, partilha visões de mundo, produz conhecimento e interage com seus parceiros em diversas situações discursivas. Com exemplos transpostos para a realidade brasileira, Linguagem e discurso é um instrumento precioso que permite analisar, com propriedade, as especificidades dos discursos que circulam na sociedade.

* Prefácio.

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Entre o grito e o silêncio
23/05/2014 13h37 - em Meus pitacos
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Olá!

Em minha mesa de trabalho, mantenho textos que, vez ou outra, leio e releio na tentativa de exercitar minha capacidade de reflexão. São textos bem diferentes, mas que têm em comum o fato de me tocarem com grande profundidade.

Um desses textos é o poema “No caminho com Maiakóvski”, de Eduardo Alves Costa. A estrofe final, em especial, tem um significado especial para mim:


"E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA!"


Minha vida, até o presente momento, sempre foi eivada de situações de conflitos, muitos deles vividos de forma apaixonada. Mas, desde que meu filho nasceu, tenho empreendido um esforço enorme para domar meu ímpeto guerreiro, assumindo uma postura de não violenta. Confesso que não é fácil, mas tenho experimentado vitórias pontuais muito significativas. Esse “coração que grita”, em muitos momentos, grita tão alto que é impossível não externar toda a indignação.

Por outro lado, há em mim um desejo de silenciar. E peço aos leitores que não confundam silêncio com omissão. E por conta disso, faço questão de manter em minha mesa outro texto. Trata-se do texto “Silêncio”, do guru indiano Paramahansa Yogananda.

Num trecho do texto em especial, o guru escreve:


“Sua mente ainda não está preparada para se concentrar profundamente no Espírito. Seus pensamentos irão enfatizar principalmente em recordações de pessoas e passatempos mundanos, mesmo que você permaneça numa caverna. O alegre cumprimento dos seus deveres mundanos, juntamente com a meditação diária, é o melhor caminho.”


Sempre recorro a esses textos como forma de resgatar aquele ser que almejo me transformar um dia. Transformação é, para mim, uma meta de vida. Meu ativismo (e não me refiro ao engajamento político) vive essa dualidade entre o ser que busca individuação sem perder de vista o permanente processo de socialização.

A vida, para mim, tem sido um aprendizado cotidiano. Ora gritando, ora me silenciando em um permanente processo de conhecimento, reflexão, ação e transformação

Essa é a essência do meu ativismo enquanto projeto intelectual.

Um ótimo fim de semana!

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