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Gestor público, publicitário, especialista em Sociologia, com extensão em políticas públicas e jornalismo de políticas públicas... Perfil Completo
Mensagem do dia 18/08/2011 11h48

Aprendi a não tentar convencer ninguém. O trabalho de convencer é uma falta de respeito, é uma tentativa de colonização do outro. 

(José Saramago)
Arte política e seus paradoxos
21/11/2014 12h19 - em Leituras sociológicas
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O Espectador Emancipado

Jacques Rancière (Argel, 1940) é um filósofo francês, professor da European Graduate School de Saas-Fee e professor emérito da Universidade de Paris. Trata-se de um autor instigante, embora freudiano. Em de seus livros, "O Espectador Emancipado", ele  traz uma reunião de textos de conferências realizadas em diversas instituições.

Trata-se de uma obra construída a partir de um pedido feito ao autor para considerar a reflexão de um grupo de artistas acerca de outra obra sua, "O Mestre Ignorante". Em "O Espectador Emancipado", narra com certa perplexidade que "O Mestre Ignorante" tinha o intuito de se inserir no debate sobre a escola pública. Não obstante,  o grupo de artistas havia refletido sobre a condição do espectador.

Recomendo, aliás, que duas obras precisam ser lidas complementarmente.

O autor, entretanto,  considerou que estabelecer uma relação entre sua obra anterior e a questão do espectador poderia ser uma oportunidade para  um distanciamento radical dos pressupostos teóricos que sustentam os debates sobre  as formas de espetáculo teatral, as quais colocam corpos em ação diante de um público.

A obra trata da lógica da emancipação intelectual aplicada à relação entre mestre e aprendiz  se estabelece, então, como o fio que percorre a crítica sobre a “posição” paradoxal atribuída ao espectador, ao longo da história da arte.

Confira na sequencia trechos do capítulo "Paradoxos da Arte Política"*:

  • "Arte e política têm a ver uma com a outra como formas de dissenso, operações de reconfiguração da experiência comum do sensível. Há uma estética da política no sentido de que os atos de subjetivação política redefinem o que é visível, o que se pode dizer dele e que sujeitos são capazes de fazê-lo. Há uma política da estética no sentido de que novas formas de circulação da palavra, de exposição do visível e de produção dos afetos determinam capacidades novas, em ruptura com a antiga configuração do possível. Há, assim, uma política da arte que precede as políticas dos artistas, uma política da arte que precede as políticas dos artistas, uma política da arte como recorte singular dos objetos da experiência comum, que funciona por si mesma, independentemente dos desejos que os artistas possam ter de servir esta ou aquela causa. O efeito do museu, do livro ou do teatro tem a ver com as divisões de espaço e tempo e com os modos de apresentação sensível que instituem, antes de dizer respeito ao conteúdo desta ou daquela obra. Mas esse efeito não define nem uma estratégia política da arte como tal nem uma contribuição calculável da arte para a ação política."
  • "Aquilo que se chama política da arte, portanto, é o entrelaçamento de lógicas heterogêneas. Há, em primeiro lugar, aquilo que se pode chamar “política da estética”, ou seja, o efeito no campo político, das formar de estruturação da experiência sensível próprias a um regime da arte."
  • "Ficção não é a criação de um mundo imaginário oposto ao mundo real. É o trabalho que realiza dissensos, que muda os modos de apresentação sensível e as formas de enunciação, mudando quadros, escalar ou ritmos, construindo relações novas entre a aparência e a realidade, o singular e o comum, o visível e sua significação. Esse trabalho muda as coordenadas do representável; muda nossa percepção dos acontecimentos sensíveis, nossa maneira de relacioná-los com os sujeitos, o modo como nosso mundo é povoado de acontecimentos e figuras."
  • "As formas da experiência estética e os modos da ficção criam assim uma paisagem inédita do visível, formas novas de individualidades e conexões, ritmos diferentes de apreensão do que é dado, escalas novas. Não o fazem da maneira específica da atividade política, que cria forma de enunciação coletiva (nós). Mas formam o tecido dissensual no qual recortam as formas de construção de objetos e as possibilidades de enunciação subjetiva próprias à ação dos coletivos políticos. Enquanto a política propriamente dita consiste na produção de sujeitos que dão voz aos anônimos, a política própria à arte no regime estético consiste na elaboração do mundo sensível do anônimo, dos modos do isso e do eu, do qual emergem os mundos próprios do nós político. Mas, à medida que passa pela ruptura estética, esse efeito não se presta a nenhum cálculo determinável."
  • "A política da arte, portanto, não pode resolver seus paradoxos na forma de intervenção fora de seus lugares no “mundo real”. Não há mundo real que seja o exterior da arte. Há pregas e dobras do tecido sensível do comum nas quais se jungem e desjungem a política da estética e a estética da política. Não há real em si, mas configurações daquilo que é dado como nosso real, como o objeto de nossas percepções, de nossos pensamentos e de nossas intervenções. O real é sempre objeto de uma ficção, ou seja, de uma construção no espaço no qual se entrelaçam o visível, o dizível e o factível. É a ficção dominante, a ficção consensual, que nega seu caráter de ficção fazendo-se passar por realidade e traçando uma linha de divisão simples entre o domínio desse real e o das representações e aparências, opiniões e utopias. A ficção artística e a ação política sulcam, fraturam e multiplicam esse real de modo polêmico. O trabalho da política que inventa sujeitos novos e introduz objetos novos e outra percepção dos dados comuns é também um trabalho ficcional. Por isso, a relação entre arte e política não é uma passagem da ficção para a realidade, mas uma relação entre duas maneiras de produzir ficções. As práticas da arte não são instrumentos que forneçam formas de consciência ou energias mobilizadoras em proveito de uma política que lhes seja exterior. Mas tampouco saem de si mesmas para se tornarem formas de ação política coletiva. Contribuem para desenhar uma paisagem nova do visível, do dizível e do factível. Forjam contra o consenso outras formas de “senso comum”, formas de um senso comum polêmico. "

O Autor tem uma obra interessante, não muito extensa na língua portuguesas. Sugiro, ainda, a leitura de "Ódio à Democracia", " A Partilha do Sensível", "Nas Margens do Político" e "O Inconsciente Estético".

* In: RANCIÈRE, Jacques. O espectador emancipado. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2012. 


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Dan Gilbert: Por que somos felizes?
17/11/2014 14h04 - em Círculo Umanisté de Estudos
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Prazer ou felicidade?

”A nossa cultura, como a nossa própria experiência, pode perpetuar inverdades sobre as fontes da felicidade. A economia, por exemplo. A única maneira de a nossa economia se perpetuar é se muitas pessoas acreditarem no que Adam Smith chamou de “um engano” – o consumo constante trará felicidade. As economias são um motor, e a produção e consumo constantes são o combustível. Portanto, se todos perceberem, um dia, que o consumo e a produção constantes não são uma fonte de felicidade – que tudo o que eles realmente fazem é manter a economia funcionando – quantos de nós iríamos nos levantar de manhã e dizer: “Eu sei que isso não vai me faz feliz, mas eu quero manter a economia funcionando?”

Nós não fazemos isso. Nós nos levantamos de manhã e dizemos: “O que vai me fazer feliz?” Então, a única maneira de sermos um combustível eficiente para o motor da economia, é aderindo ao grande mito cultural de que “coisas” nos fazem felizes. Nós pulamos em nossa rodinha de rato, metaforicamente falando, e ganhamos dinheiro. Isso não nos traz a felicidade que pensávamos que teríamos, então presumimos que não ganhamos o suficiente. Nós provavelmente precisamos ganhar mais. O Palio não é suficiente; o Audi deve ser. A velha esposa não é boa o suficiente; vamos arrumar uma nova. Nós continuamos imaginando que se essas coisas não estão nos trazendo felicidade, são porque são as coisas erradas, ao invés de reconhecer que a própria busca é inútil – que, independentemente do que possamos alcançar na busca das coisas, elas nunca trarão um estado contínuo de felicidade.”

Dan Gilbert, via
BudaVirtual

Na sequência, um vídeo filmado em Fevereiro de 2004,
durante o TED2004m onde o psicólogo fala sobre
"Por Que Somos Felizes?"



Desejo uma boa reflexão aos leitores do blog!

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Zygmunt Bauman: Estamos isolados em rede?
13/11/2014 11h19 - em Leituras sociológicas
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Do Fronteiras do Pensamento

As relações humanas não são mais espaços de certeza, tranquilidade e conforto espiritual. Em vez disso, transformaram-se numa fonte prolífica de ansiedade. Em lugar de oferecerem o ambicionado repouso, prometem uma ansiedade perpétua e uma vida em estado de alerta. Os sinais de aflição nunca vão parar de piscar, os toques de alarme nunca vão parar de soar.

Zygmunt Bauman)

Em tempos líquidos, a crise de confiança traz consequências para os vínculos que são construídos. Estamos em rede, mas isolados dentro de uma estrutura que nos protege e, ao mesmo tempo, nos expõe. É isso mesmo? O sociólogo polonês Zygmunt Bauman, em seu livro Medo líquido, diz que estamos fragilizando nossas relações e, diante disso, nos contatamos inúmeras vezes, seja qual for a ferramenta digital que usamos, acreditando que a quantidade vai superar a qualidade que gostaríamos de ter.


>> Baixe Medo Líquido, em PDF.

Bauman diz que, nesses tempos líquidos-modernos, os homens precisam e desejam que seus vínculos sejam mais sólidos e reais. Por que isso acontece? Seriam as novas redes de relacionamento que são formadas em espaços digitais que trazem a noção de aproximação? Talvez sim, afinal a conexão com a rede, muitas vezes, se dá em momentos de isolamento real. O sociológo, então, aponta que, quanto mais ampla a nossa rede, mais comprimida ela está no painel do celular. “Preferimos investir nossas esperanças em ‘redes’ em vez de parcerias, esperando que em uma rede sempre haja celulares disponíveis para enviar e receber mensagens de lealdade”, aponta ele.

E já que as novas sociabilidades, aumentadas pelas pequenas telas dos dispositivos móveis, nos impedem de formar fisicamente as redes de parcerias, Bauman diz que apelamos, então, para a quantidade de novas mensagens, novas participações, para as manifestações efusivas nessas redes sociais digitais. Tornamo-nos, portanto, seres que se sentem seguros somente se conectados a essas redes. Fora delas os relacionamentos são frágeis, superficiais, “um cemitério de esperanças destruídas e expectativas frustradas”.

A liquidez do mundo moderno esvai-se pela vida, parece que participa de tudo, mas os habitantes dessa atual modernidade, na verdade, fogem dos problemas em vez de enfrentá-los. Quando as manifestações vão para as ruas, elas chamam a atenção porque se estranha a formação de redes de parceria reais. “Para vínculos humanos, a crise de confiança é má notícia. De clareiras isoladas e bem protegidas, lugares onde se esperava retirar (enfim!) a armadura pesada e a máscara rígida que precisam ser usadas na imensidão do mundo lá fora, duro e competitivo, as ‘redes’ de vínculos humanos se transformam em territórios de fronteira em que é preciso travar, dia após dia, intermináveis conflitos de reconhecimento.” 

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Documentário: A Matriz Viva
11/11/2014 13h01 - em Círculo Umanisté de Estudos
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Um filme sobre
 
A nova Ciência da Cura*

Um grupo de dedicados cientistas, psicólogos, pesquisadores de bioenergética e terapeutas holísticos que estão descobrindo o potencial de cura em novos lugares falam sobre a medicina baseada na informação energética.

O poder da informação. Líderes da ciência estão examinando o corpo através da lente da física quântica. Eles descobriram que somos muito mais do que máquinas bioquímicas. Em vez disso, nossas células são emissores e receptores de informação, controlando a nossa saúde de uma forma que nunca se imaginou.

No filme, pesquisadores e outras pessoas que enfrentam os desafios da saúde colocam a ciência em uma nova perspectiva, enquanto contam suas histórias. Eles descrevem que enfrentam doenças graves, tornando-se frustrados e sem esperanças quando chegam a becos sem saída no tratamento médico convencional. No entanto, com uso de terapias baseadas na informação, eles passaram a ter recuperações notáveis.

Trata-se um documentário notável sobre formas de cura no século XXI - disponíveis neste momento - que vai ao encontro de todos aqueles que estão à procura de novas respostas.

Confira o filme completo e legendado:




* Extraído do blog  
Karlakinhirin.com.
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David Bohm: Pensamento como um sistema
06/11/2014 15h40 - em Círculo Umanisté de Estudos
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Por David Bohm

Trechos traduzidos pelo blog Dharmalog.com da edição em inglês de "Thought as a System".

Confira:


O centro intelectual normalmente diz se uma emoção é apropriada ou não. Isso é o que acontece no exemplo de estar com raiva a respeito do atraso de duas horas de alguém, que aparece e diz que “o metrô estava atrasado”. Se você acredita na pessoa, então o centro intelectual diz que “não há mais nenhuma boa razão para estar com raiva”. E o centro emocional devidamente responde “ok, não há razão, eu desisto da minha raiva”. E vice-versa – o centro emocional pode enviar a informação dizendo que há perigo, ou que há isto ou aquilo, e o centro intelectual vem e tenta saber qual é o perigo. Ele pensa.

Vale repetir o que tenho falado nos últimos anos – que nossa linguagem tem feito uma distinção entre estar ‘pensando’ e ‘pensamento’. ‘Pensando’ implica um presente contínuo – alguma atividade acontecendo em que pode incluir sensibilidade crítica para o que pode dar errado. Também pode haver novas idéias e talvez ocasionalmente percepção de algo interior. ‘Pensamento’ é o passado disso. Temos a idéia de que depois que nós pensamos em algo, isso evapora. Mas estar ‘pensando’ não desaparece. Vai para algum lugar dentro do cérebro e deixa algo – um rastro – que se torna pensamento. E o pensamento então age automaticamente. O exemplo que eu dei sobre a pessoa que lhe deixou esperando e então aparece mostra como o pensamento reforça e mantém a raiva; quando você havia pensado por um tempo, ‘Eu tenho uma boa razão para ter raiva’, a emoção está lá e você se mantém com raiva. Por isso o pensamento é a resposta da memória – do passado, do que já foi feito. Assim nós temos o estar pensando e o pensamento.

Tudo isso tenderá a introduzir uma boa quantidade de confusão, ou do que eu chamo de “incoerência”, no pensamento ou na ação pela qual você não vai conseguir o que esperava. Isso é o grande sinal de incoerência: você quer fazer algo mas não sai do jeito que esperava. Isso é geralmente um sinal de que você tem alguma informação errada ao longo do processo. A abordagem correta seria dizer; ‘Sim, isso é incoerência. Deixe-me tentar encontrar a informação errada e mudá-la’. Mas o problema é que há um monte de incoerências em que as pessoas não fazem isso.

É a mesma coisa com o nacionalismo. As pessoas não criaram as nações para sofrerem o que eles tem sofrido – para sofrer guerras intermináveis e ódio e fome e doença e aniquilação e escravidão e tudo mais. Quando eles criaram as nações não era intenção gerar isso. Mas é o que tem acontecido. E iria inevitavelmente acontecer. A questão é que as pessoas raramente olham para as nações e dizem: ‘o que isso é na verdade?’ Ao invés disso, eles dizem que ‘temos que manter essa nação a todo custo, mas não queremos essas consequências’. E elas se debatem contra as consequências enquanto se mantém criando a mesma situação.

Leia também: 

>> Diálogo entre Krishnamurti e David Bohm. Não obstante as polêmicas envolvendo sua vida, suas ideias sobre o pensamento e a evolução da consciência são de grande relevância para quem pretende olhar as coisas para além do materialismo.

>> Para o socialismo quântico. Uma das chaves do Socialismo Quântico é fixado em uma concepção de socialismo de sujeitos, de indivíduos livres que, ao exercitar sua liberdade, interpretem uma dança coletiva e harmoniosa, nascida da expressão da consciência e não de mercados nem da imposição estatal.


Leia o post completo em Dharmalog.com.

Boa leitura!

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