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Gestor público, publicitário, especialista em Sociologia, com extensão em políticas públicas e jornalismo de políticas públicas... Perfil Completo
Mensagem do dia 18/08/2011 11h48

Aprendi a não tentar convencer ninguém. O trabalho de convencer é uma falta de respeito, é uma tentativa de colonização do outro. 

(José Saramago)
Os rumos do conservadorismo no Brasil
30/10/2014 14h50 - em De olho em 2018
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O processo eleitoral que reelegeu Dilma, se não nos possibilitou as mudanças tão desejadas, mostrou-nos claramente as contradições políticas e ideológicas de nossa população.

A direita no Brasil fracassou, diluiu-se ao longo dos anos após a redemocratização e o ponto alto disso foi o enfraquecimento, quase até a morte, do Democratas. Os políticos de Direita, herdeiros, mesmo que de segundo grau, do antigo Arena, ficaram distribuídos em diversos partidos (PSC, DEM, PR e PP por exemplo) e com isso o discurso tornou-se difuso. Mas é nítida a presença de políticos conservadores em muitos partidos; por exemplo, no PMDB e no PSDB, onde, nesse último, o ícone do pensamento ultra-conservador é o governador reeleito de São Paulo Geraldo Alckimin.

Uma pesquisa realizada pelo Datafolha , durante o processo eleitoral, mostra uma mudança na opinião dos brasileiros em relação a temas relacionados a comportamentos, valores e economia. Segundo a pesquisa, a “parcela de eleitores brasileiros afinados com temas defendidos pela direita (45%) supera atualmente à de eleitores mais afinados com as ideias ligadas à esquerda (35%)”. Em novembro do ano passado, essas opiniões dividiam a população adulta de forma igual, com 41% dos brasileiros à esquerda, e 39%, à direita. Nos dois levantamentos, 20% se situam no centro do espectro ideológico.

Embora Dilma Rouseff (PT), uma pretensa represente da esquerda, tenha vencido as eleições, fica claro que as alianças em torno de sua vitória contemplavam, em grande parte, políticos de tradição conservadora. Basta observar que a composição dos ministérios apontam, ainda que absurda e especulativamente,  para indicações de nomes como Kátia Abreu (agricultura), José Sarney (Cultura) e Gilberto Kassab (Cidades). Tudo em nome da governabilidade, é claro. Mas, pelo outro lado, a aliança em torno do PSDB, pretensamente de direita, em especial no segundo turno, agregou partidos e políticos mais situados à esquerda do espectro político.

O fato é que, mesmo difusas, essas forças conservadoras ganharam forças. Elegemos o
congresso mais conservador desde 1964, de acordo com o Departamento Intersindical de assessoria parlamentar (DIAP). O que confirma que, de certo modo, mesmo que não nos situemos como esquerda ou direita, nos revelamos dentro de um certo espectro ideológico, quando emitimos nossas opiniões. E é essa aproximação com o discurso conservador que precisa ser observado com atenção pelos que se colocam a analisar a política. Assim, duas perguntas se impõem:

(1) Até que ponto o discurso de direita é apenas uma marolinha?

(2) Será que essa onde conservadora pode representar alguma alteração no rumo da política em 2018?

Pretendo me debruçar sobre essas perguntas nos próximos quatro anos.

Por ora, arrisco dizer – de modo bem especulativo - que mais que acompanhar as ações de governos e políticos, o desenho ideológico que servirá de gabarito para as disputas políticas em 2018 precisa receber uma atenção especial. Será esse desenho que, a meu ver, estará no centro de um possível racha dentro do maior adversário do governo do petista, o PSDB. Talvez com o nascimento de um novo partido, mais à direita e possivelmente liderado pelo governador Geraldo Alckimin e compostos por forças neopentecostais, populistas, pró-militares e oligárquicas situadas à direita do espectro político.

Essa turma tem duas opções, ou permanece difusa e espalhada por diversos partidos comendo pelas beiradas; ou, numa súbita ousadia política assumem-se como direita e se organizam em um novo partido para um enfrentamento já em 2018.

Afinal, o PSDB está pequeno demais para Serra, Alckmin e Aécio Neves.

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De Olho em 2018.
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Reforma política: referendo ou plebiscito?
29/10/2014 14h07 - em De olho em 2018
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Da Série De olho em 2018:

Na falta de coragem de assumir que não importa a opinião do povo, nossos parlamentares dizem preferir o referendo ao plebiscito para avançar na discussão sobre reforma política.

A disposição da presidente Dilma Rousseff em promover a reforma política por plebiscito ou, logo depois, aceitando a possibilidade de ser por referendo, dando ênfase à importância da participação popular vai ao encontro de sua disposição de estimular essa prática.

Um exemplo dessa boa vontade da presidente é a tentativa de regulamentar, contra a vontade de nossos parlamentares, a atuação dos conselhos populares através da Política Nacional de Participação Social através do Decreto nº 8.243, de 23 de maio de 2014. Não me espanta que nossos deputados e senadores tenham tanta resistência ao plebiscito para a elaboração da reforma política! Preferem o referendo já que fica feio assumir que pouco importa a opinião do cidadão.

Mas, afinal, qual a diferença entre plebiscito e referendo?

Inicialmente, é preciso dizer que ambos são consultas ao povo para decidir sobre matéria de relevância para a nação em questões de natureza constitucional, legislativa ou administrativa. A principal distinção, segundo o Tribunal Superior Eleitoral, é a de que o plebiscito é convocado previamente à criação do ato legislativo ou administrativo que trate do assunto em pauta, e o referendo é convocado posteriormente, cabendo ao povo ratificar ou rejeitar a proposta. Ambos estão previstos no art. 14 da Constituição Federal e regulamentados pela Lei nº 9.709, de 18 de novembro de 1998.

Algumas questões que se referem à reforma politiza e que precisam ser discutidas pela população são:

(1) Financiamento público ou privado de campanhas eleitorais;
(2) O fim da reeleição; e,
(3) O sistema de eleição proporcional, isto é, o Brasil passaria a adotar, por exemplo, o sistema de voto em lista ou distrital.

Sobre esses pontos, falarei em outros momentos com maior profundidade.

Por hora, gostaria apenas de defender a necessidade da participação popular!

>> Dicas de leitura:


- O que muda se a reforma política ocorrer por referendo ou plebiscito?, por João Fellet, da BBC Brasil em Brasília.

Não podemos deixar que assuntos fundamentais para a consolidação da nossa democracia sejam decididos por políticos que nem sempre estão imbuídos interesses nem sempre nobres.

Inspirado na colocação do jornalista Alexandre Campbell em uma discussão que iniciei sobre esse assunto nas redes sociais, fico cada vez mais sensível à ideia de uma constituinte exclusiva para esta e outras reformas. Mas uma constituinte que impeça seus participantes de candidatar-se qualquer cargo eletivo pelos próximos dez anos. Mas isso é outra história; para um outro post.

Sigamos De Olho em 2018.

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O Brasil está dividido?
27/10/2014 22h47 - em Meus pitacos
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O Brasil não está dividido.
Ele sempre esteve dividido.


O Brasil não está dividido entre petistas e tucanos. Muito antes disso o ‘celeiro do mundo’ já estava dividido. Mas não só entre os que sentem fome e os que provocam fome (a velha e boa luta de classes). A gradação de brasileiros entre os primeiro e os segundos é muito grande e revela-se em momentos em que a emoção prevalece sobre a razão; como nas eleições que acabam de acontecer.

Mas, no meio de tudo isso existe um enorme grupo de pessoas que pela possibilidade de estar entre os que provocam fome, na crença cega no deus dos mercados, das corporações e da farsa da meritocracia estão dispostos a tudo, inclusive a destilar irracionalmente discursos de ódio emanados por uma elite que sempre dominou a ‘massa ignorante e faminta’ e que se sente prejudicada com a possibilidade de perder esse poder de manipular.

Entre os que sentem fome e os que provocam forme existe uma ‘classe média’ que cresce e, ao crescer, identifica-se com a classe dominante. O oprimido que quer ser opressor, identificado sabiamente por Paulo Freire. Um grupo cada vez maior de pessoas sente-se – com relativo atraso histórico! – incluído num “sistema de oportunidades”. O problema é que esse sistema está em franco declínio. Basta olhar o que acontece nos países do [dito] primeiro mundo: Estados Unidos, Inglaterra, França, Espanha etc.

Recomendo, aliás, que os leitores assistam ao seguinte vídeo:



O que muitas dessas pessoas querem é o modelo que está sendo questionado nos países [ditos] desenvolvidos. Questiono-me, sinceramente, se elas sabem mesmo o que os sistemas neoliberalismo e o capitalismo têm provocado no mundo; não obstante os avanços que ele possibilitou em dado momento. Momento esse que já passou. Precisamos mesmo continuar seguindo um caminho que antecipadamente sabemos que nos levará para um abismo? 

Pois bem, essa 'classe do meio', composta por professores, profissionais liberais, servidores públicos e pequenos comerciantes, estão propagando na rede um amontoado de acusações e insinuações raivosas e antidemocráticas tentando impor culpa e responsabilidade nos que, por razões diversas, optaram pela candidatura de Dilma Rousseff. Servem a interesses que claramente não são os seus, mas de uma classe que os usa para essa tarefa degradante rumo ao conflito.

Já ouvi barbaridades sobre isso, desde “apontarei meus dez dedos para vocês”, “não quero mais sustentar os vagabundos nordestinos”, “tem que ser muito ignorante ou bandido para votar no PT”, “o Brasil vai virar Cuba e a culpa é de vocês” etc. Tomei cuidado em selecionar só aquilo que considero publicável. Esse grupo arroga para si a verdade sobre o que é melhor para o Brasil. Mostram que não entenderam o espírito da democracia. Lamento por eles.

O comportamento desse grande grupo desperta em mim uma sensação de alerta e sinaliza um caminho perigoso, desnecessário  e repulsivo. Um caminho que precisa ser revisto antes que coisas piores aconteçam. Fico imaginando o que estaria acontecendo se Aécio Neves tivesse ganhando a eleição!

Dilma fez bem ao defender união e o diálogo. Mas, será que nossas lideranças políticas eleitas para nos representar no Congresso estão preparadas para caminhar nesse sentido ou caminharemos durante quatro anos para agravar esse discurso de ódio e intolerância que está sendo reproduzido e crescendo a passos bem largos largos pelas redes sociais.

Sigo acreditando no humanismo e no solidarismo como caminhos possíveisde pavimentação desse caminho.

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Marina Silva deu sorte
27/10/2014 12h53 - em Meus pitacos
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Como já disse aqui no blog, votei em Marina Silva e votaria novamente.

Não obstante, mantenho minhas opiniões já manifestadas em “
Carta a Marina” e em “E se Marina tucanar?”. Tentei, no limite de minhas forças, respeitar a decisão de Marina. Não a acompanhei, mas respeitei sua decisão. Agora, é esperar... O tempo resolve muitas coisas. Ele mostrará até que ponto Marina estava certa ou equivocada

O fato é que, ao apoiar Aécio, a meu ver, Marina saiu enfraquecida desse processo eleitoral. Nada que não possa ser revertido nos próximos quatro anos, dependendo de como a ex-senadora se posicionará daqui para frente. Com a vitória de Dilma, não demora muito esquecerão que ela num súbito ataque de mágoa preferiu apoiar o mineiro Aécio Neves, correndo o risco de endossar o risco tucano, a manter-se como alternativa à polaridade entre PT e PSDB.

Como disse, para sorte de Marina (e não só de nós brasileiros!), Aécio Neves perdeu. Por um lado, essa derrota deixa Marina livre para reconstruir aquilo que ela perdeu ao manifestar apoio ao projeto tucano. Por outro lado, nos deixa uma amarga dúvida: ela aceitaria fazer parte de um eventual governo do PSDB? Qualquer resposta seria pura especulação.

Mas, o fato é que Marina escolheu um lado e, ao escolher esse lado, assumiu os ônus dessa escolha. O único bônus, no meu entender, é que a derrota a deixa livre para seguir a sua utopia por uma NOVA POLÍTICA.

Pessoalmente, ainda acredito que uma nova política é possível. Mesmo com todas as contradições e com todo os ‘esforço’ de Marina Silva em provar o contrário, sigo mirando esse “oásis político”; ou, como diria Philippe Guédon, um grande humanista e solidarista que admiro muito, sigo buscando “um pedaço limpo de chão para se fazer política”.

Que Marina saiba aproveitar a sorte que veio das urnas.

Disso depende seu futuro político.

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E agora, Aécio?
27/10/2014 11h55 - em Meus pitacos
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Aécio Neves, em última instância, perdeu para ele mesmo. Mesmo tendo que enfrentar do outro lado uma candidatura perdida em uma estratégia equivocada.

Muitas são as razões que explicam a derrota do senador tucano Aécio Neves. Analisar a derrota dele por um único ponto de vista é reduzir a complexidade da política. Quanto mais compreendermos os movimentos do eleitor, as retóricas (e alguns casos as propostas) dos candidatos, as estratégias eleitorais e a dinâmica de apoios que configuraram esse segundo turno, maior será nosso aprendizado político e consequentemente nosso amadurecimento democrático.

Aécio, sem sombra de dúvidas, cometeu muitos erros. Dilma, do outro lado, também. Mas, mesmo com uma estratégia equivocada de mudança, Dilma errou menos e por isso conseguiu reeleger-se.
Sobre Dilma, comento em outro post aqui no blog.

O objetivo aqui é falar da derrota tucana. Entre muitas razões para a derrota de Aécio Neves, a maior delas foi sem dúvida a sua “derrota” em Minas Gerais. Estado em que o tucano teria obrigação de ganhar, já que deixou o governo com [ditos] 95% de aprovação popular. Mas os mineiros, em sua maioria, disseram não a Aécio. Um bom desempenho em Minas, talvez similar ao desempenho do tucano São Paulo, teria feito toda a diferença e, possivelmente, garantido a vitória do PSDB nessas eleições. Mas, isso não aconteceu e, por conta disso, pode impor a Aécio Neves um desafio maior que os enfrentados nessas eleições: conseguir se viabilizar como candidato em 2018.

Em quatro anos, o cenário pode ser muito mais favorável aos tucanos. Não acredito, como alguns interlocutores e leitores desse blog, num retorno de Lula. Por isso, vejo o PT com grandes dificuldades de apresentar um sucessor dentro do próprio partido. Fato esse que, aliás, já apontem para um assanhamento de Michel Temer, vice de Dilma, na sucessão presidencial. Tenho algumas apostas dentro do próprio PT, mas isso é outro papo, para outro momento e depois que Dilma anunciar a composição do ‘novo governo’; aliás, mote da campanha.

Diante dessa nebulosidade, o tucanato paulista  - José Serra e Geraldo Alckmin - tentará emplacar um nome para sucessão. E, diante do bom desempenho, deles em São Paulo é bem provável que o senador mineiro tenha alguma dificuldade de viabilizar uma nova candidatura. Aliás, não tenho dúvidas que o maior adversário de Aécio nessas eleições, além dele mesmo, foi o empenho (ou melhor, a falta de empenho) dos paulistas. Talvez essa falta de empenho dos paulistas até explique a súbita ‘imparcialidade’ do jornal Folha de São Paulo que “nunca como antes na história desse país” bateu tanto num tucano.

Assim, diante do exposto, deixo a reflexão:

E agora, Aécio?.

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