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Gestor público, publicitário, especialista em Sociologia, com extensão em políticas públicas e jornalismo de políticas públicas... Perfil Completo
Mensagem do dia 18/08/2011 11h48

Não é possível ceder-se na liberdade de expressão nem na liberdade política, mas convém ter-se bom senso; a não ser que o objectivo seja acabar a insultar tudo e todos em nome de todas as liberdades, enquanto o mundo arde à nossa volta. Nunca em sociedade alguma se pôde brincar com tudo. Para além dos tabus em que qualquer sociedade assenta, cada cultura constitui-se sobre o que para si mesma é licito, razoável ou aceitável.

(Fernando Ilharco, filósofo português)
Processo de tomada de decisão
08/03/2014 22h55 - em Leituras sociológicas
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Fragmentos de leitura

Compartilho com vocês alguns fragmentos de minhas leituras sobre processo decisório. Trata-se de uma revisão que estou fazendo da obra "A Organização do Conhecimento", de Chun Wei Choo (foto).


O processo de tomada de decisão, resgatando Harrison (1993), é um produto da cultura onde a decisão acontece e, ao mesmo tempo, influencia essa cultura, este processo, devido à mutabilidade e complexidade do mundo, deve levar em conta aspectos multidisciplinares.

As decisões, segundo Choo (2003), são resultados da escolha de um curso de ação determinado e, na medida em que definem e elaboram propósitos e alocam e autorizam o dispêndio de recursos, facilitam esta ação. Nessa perspectiva, o processo decisório pode ser visto como um conjunto de ações e fatores que têm início a partir da identificação de um estímulo para a ação e que se finaliza com o compromisso específico para a ação.

Embora Harrison (1993) defenda que não há limite para o desenvolvimento de modelos de tomada de decisão, para efeitos da analise crítica a que o trabalho se propõe, adotaremos os modelos propostos por Choo (2003): 

MODELO RACIONAL, que é um ato orientado para objetivos e guiado por problemas, sendo o comportamento de escolha regulado por normas e rotinas, de modo que a organização possa agir de uma maneira procedimental e intencionalmente racional.

MODELO PROCESSUAL, onde as fases e ciclos que dão estrutura às atividades decisórias (estratégicas), complexas e dinâmicas, são elucidados. Este modelo é exemplificado no trabalho de Mintzberg, Raisinghani e Théorêt (1976), que conseguiram discernir fases e rotinas que indicam uma estrutura subjacente aos processos decisórios.

MODELO POLÍTICO, onde a política é considerada o mecanismo de decisão, quando diferentes jogadores ocupam diferentes posições e exercem graus diferentes de influência, de acordo com as regras e seu poder de barganha, de modo que as decisões resultam menos de uma escolha racional do que dos altos e baixos da política.

MODELO ANÁRQUICO, em que as organizações são consideradas ‘anarquias organizadas’, onde as situações de decisão são caracterizadas por preferências problemáticas (mal definidas e incoerentes), tecnologia obscura (onde os processos e procedimentos não são bem entendidos) e por uma participação fluida (onde as pessoas dedicam às atividades uma quantidade de tempo e esforço variáveis).

Independentemente do modelo de decisão a ser utilizado por uma organização, Choo (2003, p.275) destaca que:

"O ambiente organizacional no qual a decisão ocorre é definido, no mínimo, por duas propriedades: a estrutura e a clareza dos objetivos organizacionais, que têm um impacto sobre as preferências e escolhas, e a incerteza ou quantidade da informação sobre os métodos e processos pelos quais as tarefas devem ser cumpridas e os objetivos devem ser atingidos."

Referências:

CHOO, Chun Wei. A Organização do Conhecimento: Como as organizações usam a informação para criar significado, construir conhecimento e tomar decisões. São Paulo: Editora SENAC São Paulo, 2003.

HARRISON, E. F. Inter-disciplinary models of decision making. Management Decision, v.31, no.8, p. 27-33, 1993.

MINTZBERG, H., RAISINGHANI, D., THÉORÊT, A., The Structure of ‘Unstructured’ Decision Processes. Administrative Science Quarterly, v.21, no. 2, p. 246-275, 1976


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Piquete virtual no INCA?
06/03/2014 09h49 - em Meus pitacos
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Ter uma opinião divergente deveria enriquecer o processo democrático. Mas, minorias sindicais e corporativistas não gostam de quem diverge. Quando contrariadas, tentam intimidar inaugurando uma nova modalidade de piquete, o virtual. 

Nas duas notas anteriores critiquei o pleito das 30 horas e a (in)consequente “greve” no INCA. Greve que, segundo a própria Associação dos funcionários (Afinca) inexiste. Em seu site, a Afinca informa que “a ‘greve’ que uma pequena parte de servidores do Inca abraça (menos de 100 pessoas), na prática, não existe: os números de participantes são inflacionados na publicidade sindical”. Para a Associação, “nenhuma solução que beneficie apenas uma categoria em exercício no interior da instituição é efetivamente “solução”. No caso concreto dos enfermeiros do Inca, há informações que não são postas à categoria ou são silenciadas pelas vaias fomentadas pela intolerância sindical”.

>> Leia o posicionamento da Afinca.
>>
Meus posicionamentos (rompimento) sobre a Afinca.

Após minha manifestação, virei alvo de duras críticas por parte de alguns poucos - mas bem atrevidinhos - profissionais de saúde que nem do INCA são. O que comprova meu argumento sobre o corporativismo. Na tentativa de promover um verdadeiro “piquete virtual”, um deles, que faz questão de explicitar, quase falicamente, seu título de PhD, faz uma ‘investigação’ da minha vida e insinua que sou um sabotador. Entretanto, ao invés de discutir a ideia, resolveu discutir a pessoa. Em meio a muita bobagem escrita, a única força argumentativa, a meu ver, é a tentativa de arrogar para si o “discurso competente” para me atacar pessoalmente. Um cidadão, aliás, que nem é da carreira de C&T. Seria, talvez, filiado a algum sindicato ou partido? Mas, faz parte. Viva democracia! Aliás, para utilizar argumentos tão medíocres, não precisava nem enfatizar o PhD na assinatura. Diz que não dá pitaco, mas opinião. Ora, não vejo diferença alguma entre o meu pitaco e a opinião dele. Tudo não passa de ponto de vista. Já dizia Henri Bergson, filósofo francês, “o olho vê somente o que a mente está preparada para compreender”. Einstein, em carta destinada a Heisenberg ,disse que "ver ou não determinada coisa depende da teoria [ou 'ponto de vista] que utilizamos". Isso vale tanto para mim, quanto para o tal PhD.

Outros, mais educados argumentaram, por e-mail, que “não se trata só do trabalho braçal, mas e o aspecto emocional? É muito difícil ficar todos os dias ao lado de um paciente que depende de você para quase tudo, ansioso, passando mal, com a família angustiada. Você não sabe o que diz!” E prosseguem: “Na sua sala, sentadinho, no ar condicionado não dá para vivenciar isso!” De fato, minha realidade, como administrativo, é diferente dos trabalhadores da saúde.  Mas a deles não é diferente, por exemplo, das auxiliares de limpeza da empresa terceirizada (CNS) e de tantos outros trabalhadores que sofrem igualmente uma jornada exaustiva. Sobre não saber o que digo, só porque não defendo uma determinada tese, não quer dizer que não sei o que digo. Isso só mostra a arrogância da minoria sindical e corporativista. Diante de tão 'fortes' argumentos da turma do piquete, ratifico minha defesa: SE NÃO FOR PARA TODOS, NÃO DEFENDO REDUÇÃO DE 30 HORAS. FAZER GREVE, ENTÃO, NEM PENSAR.

Mesmo com as tentativas de mordaça promovidas pelo piquete virtual de uma minoria sindical e corporativista, sigo defendendo 30 horas só se for para todos os trabalhadores - para todos! - e sendo contra qualquer tentativa de greve. Quanto ao INCA, defendo com muito orgulho a regulamentação de 10 horas semanais para dedicação a atividades de ensino e pesquisa com o intuito de justificar nossa gradificação por atividade de ciência e tecnologia e nossa retribuição por titulação.

Enfim, prefiro o titulo de “sabotador” de uma meia dúzia de gatos pingados grevistas corporativistas do que ajudar na sabotagem de centenas de pacientes com câncer que são atendidos pelo Inca todos os meses.



#incaMS
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Greve no INCA?
27/02/2014 08h39 - em Meus pitacos
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Por Giovani MIGUEZ

Vejam só: 300 pessoas decidiram que mais de 3000 estão em greve. Motivo? Querem trabalhar 30 horas e ganhar como se estivessem trabalhado 40 horas. Assunto complexo. Perdoem-me os colegas, mas eu não faço greve. Ainda mais por esse motivo

De acordo com o site da Associação de Funcionários do Instituto Nacional de Câncer, a AFINCA,
300 servidores decidiram, em uma “assembleia histórica”, que o INCA está em greve. Pouco menos de 10% dos servidores do Instituto decidiram pelos 90% que os pacientes com câncer terão que esperar um pouco mais pelo tratamento, pois eles estão querendo trabalhar 30 horas e ganhar 40 horas. O INCA, vale lembrar, foi excluído da Portaria do Ministério da Saúde nº260 que institui a carga horária de 30 horas para os profissionais ligados à assistência da rede federal, publicada no último dia 21. 

Não sou contra as 30 horas. Eu mesmo adoraria trabalhar 30 horas. Acho, inclusive, que todo trabalhador deveria ter sua carga horária reduzida. Mas eu teria vergonha de pleitear isso apenas para minha categoria (leia-se: servidor público da saúde). Se não for para todos os trabalhadores, não faz sentido! E, perdoem-me os meus amigos da assistência à saúde, mas não compro essa ideia de que eles trabalham com doença, morte etc. Vai dizer para a mocinha da faxina aqui do INCA que ela não tem uma carga horária e uma rotina exaustiva? Vai falar isso para o gari, carteiro, a mocinha que me atende no metrô e para toda uma infinidade de trabalhadores Brasil a fora.

muito outros motivos para fazer manifestar nossas indignações (greve, em saúde, nunca!). Se a insatisfação fosse por que o auxílio alimentação (R$ 423) é insuficiente, o auxilio pré-escolar (R$ 222) não cobre um quarto do valor de uma creche razoável (valores já reajustados a partir de março), a retribuição por titulação está defasada, o INCA não possui regras claras para liberação de servidor para cursar especializações strictu-sensu conforme a lei permite ou o reajuste de salário está abaixo do índice da inflação eu aplaudiria as manifestações. Mas, para reduzir carga horária em detrimento de todos os demais trabalhadores, isso não apoio. Já não aderiria à greve de qualquer maneira. Ainda mais por esse motivo. Pese ainda o fato que há uma insatisfação ‘estranha’ com a implantação do ponto eletrônico. O que temem alguns profissionais?

O INCA é uma instituição de ciência e tecnologia. Isso significa que os funcionários do Instituto pertencem a uma carreira diferenciada e ganham mais que os demais profissionais federais de saúde para desenvolvimento de pesquisa e ensino. Desafio os profissionais mestres e doutores do INCA a abrirem suas pesquisas em C&T para que a sociedade veja o que eles estão produzindo para justificar o valor que recebem a titulo de retribuição por titulação e gratificação por atividade de C&T. Alegam que não têm tempo para se dedicar ao ensino e pesquisa. Concordo. Então, por que não lutar para que tenham 10 horas semanais dedicadas a atividades de pesquisa e ensino.

Olha que legal: 30 horas na assistência e 10 horas em atividade de ensino e pesquisa. Seria mais nobre e mais fácil de justificar para a sociedade – que paga nosso salário – o pleito. Foi, aliás, uma bela sugestão de um servidor do INCA, o Alexandre Octávio. Essa briga vale a pena!

Outra questão inquietante: esses profissionais que pleiteiam a redução, querem ter tempo livre para família, para lazer, para estudo ou querem simplesmente trabalhar trinta horas para ter outro emprego de trinta horas, conforme permite a lei? Se for para ter qualidade de vida, aplausos para eles. Mas, por outro lado, se for para ter outro emprego, esse pleito corporativista perde todo o sentido.

Fica, assim, posta minha posição enquanto servidor do INCA.


#incaMS
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Questão de 30 horas?
24/02/2014 11h58 - em Meus pitacos
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Por que alguns trabalhadores
merecem ter ‘privilégios’ em
detrimentodos demais?


Uma portaria publicada hoje, pelo Ministério da Saúde, garante aos profissionais da saúde que trabalham nos hospitais vinculados ao Ministério da Saúde – exceto os do Instituto Nacional de Câncer, que possuem uma carreira diferenciada – o direito de trabalhar trinta horas, mantendo o salário referente às quarenta horas contratadas.

>> Leiam a portaria que institui as 30 horas.

Vez ou outra se ouve que faltam profissionais na saúde e, ao invés de contratar mais, o Ministério da Saúde decide colocar os que supostamente trabalham para trabalhar menos. Raciocínio difícil de entender, não acham? Bastou uma ameaça de greve para o governo formalizar a imoralidade e diferenciar parte da turma da saúde dos demais servidores públicos. E a questão da isonomia, cara-pálida?

Notem que não sou contra a decisão de suavizar a carga horária dos trabalhadores. Mas isso não pode ser para alguns eleitos do serviço público. Deveria ser uma conquista partilhada por todos os trabalhadores do setor público e privado. Não custa lembrar que a carga horária do setor público (40h) já é diferenciada em relação ao que é praticado com os trabalhadores da iniciativa privada (44h).

Todo trabalhador deveria trabalhar trinta horas. Pois assim, em tese, haveria mais tempo para se dedicar aos estudos, à família, ao lazer, etc. Seria justo! Mas, justo desde que fosse para todos e não para alguns poucos eleitos, para a turma da saúde.

O que você tem a ver com isso? É você quem pagará essa generosidade do Ministro (que é médico) para com os seus colegas da saúde. Só espero que ao menos, você tenha um atendimento melhor enquanto as suas trinta horas não chegam.

Enquanto isso, o gigante segue dormindo um sono profundo.


#incaMS
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Mooji e as armadilhas do ego
13/02/2014 15h42 - em Meus pitacos
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Está circulando pelo no Facebook :

"Para refletir!! Se você acha que é mais “espiritual” andar de bicicleta ou usar transporte público para se locomover, tudo bem, mas se você julgar qualquer outra pessoa que dirige um carro, então você está preso em uma armadilha do ego. Se você acha que é mais “espiritual” não ver televisão porque mexe com o seu cérebro, tudo bem, mas se julgar aqueles que ainda assistem, então você está preso em uma armadilha do ego. Se você acha que é mais “espiritual” evitar saber de fofocas ou noticias da mídia , mas se encontra julgando aqueles que leem essas coisas, então você está preso em uma armadilha do ego. Se você acha que é mais “espiritual” fazer Yoga, se tornar vegano, comprar só comidas orgânicas, comprar cristais, praticar reiki, meditar, usar roupas “hippies”, visitar templos e ler livros sobre iluminação espiritual, mas julgar qualquer pessoa que não faça isso, então você está preso em uma armadilha do ego. Sempre esteja consciente ao se sentir superior. A noção de que você é superior é a maior indicação de que você está em uma armadilha egóica. O ego adora entrar pela porta de trás. Ele vai pegar uma ideia nobre, como começar yoga e, então, distorce-la para servir o seu objetivo ao fazer você se sentir superior aos outros; você começará a menosprezar aqueles que não estão seguindo o seu “caminho espiritual certo”. Superioridade, julgamento e condenação. Essas são armadilhas do ego." (Mooji)

Permitam-me um pitaco relâmpago:

Tenho visto algumas pessoas republicarem e curtirem essas palavras atribuídas ao
líder espiritual jamaicano Mooji. São palavras que sugerem uma profunda reflexão. Refletem, aliás, a essência do que Mooji chamou de "filosofia do homem preguiçoso rumo a iluminação" (tradução literal da expressão inglesa).

As palavras são sábias, é fato. Assusta-me, entretanto, a forma acrítica como que algumas pessoas têm reproduzido esse fragmento. Muitas vezes imprimindo um comportamento contraditório ao próprio enunciado. Por exemplo: se eu aceito e pratico o que Mooji prega no texto, corro o risco de me sentir superior, julgar e condenar quem não segue. Vejo nesse comportamento uma clara contradição, mesmo desconhecendo a intenção de quem compartilha.

É preciso apenas tomar um cuidado, pois entre "olhar para dentro" e "ser cego para o que acontece fora" há uma tênue linha. Viver é tomar partido e assumir criticas na maioria das vezes. "Superioridade, julgamento e condenação" refletem nossa condição humana imperfeita.

Vivemos mergulhados no EGO e o caminho para se libertar das ilusões dessa existência egoica é perseguir o processo de individuação (termo cunhado por Jung); entendida aqui como "ampliação da consciência" onde "o indivíduo identifica-se menos com as condutas e valores encorajados pelo meio no qual se encontra e mais com as orientações emanadas do Si-mesmo, a totalidade de sua personalidade individual".

É claro que um olhar desatento tende a confundir esse processo de libertação com individualismo (nocivo). Mas não é. Jung afirmava que o processo de individuação não entra em conflito com a norma coletiva (social) do meio no qual o indivíduo se encontra, pois o processo para ocorrer precisa ter como condição que o ser humano tenha conseguido adaptar-se e inserir-se com sucesso dentro de seu ambiente, tornando-se um membro ativo de sua comunidade.

Fica a reflexão! 

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