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Gestor público, publicitário, especialista em Sociologia, com extensão em políticas públicas e jornalismo de políticas públicas... Perfil Completo
Mensagem do dia 18/08/2011 11h48

Aprendi a não tentar convencer ninguém. O trabalho de convencer é uma falta de respeito, é uma tentativa de colonização do outro. 

(José Saramago)
51 anos de Golpe Militar!
01/04/2015 15h44 - em Meus pitacos
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Definitivamente, não foi uma boa ideia!

Há 51 anos – não por mera ironia, no dia internacional da mentira! – a caminhada democrática do Brasil e dos brasileiros era interrompida. Daquele dia em diante, por duas décadas, brasileiros e brasileiras que ao aceitaram esse cercear de direitos sangraram. Com eles, o aprendizado democrático foi retardado. Tudo isso com a conivência de grupos de comunicação que, anos depois, se tornaram grandes.

Cinqüenta anos depois, mais precisamente em dezembro de 2014, um relatório da Comissão nacional da verdade concluía que “as graves violações de direitos humanos perpetradas durante o período investigado pela CNV, especialmente nos 21 anos do regime ditatorial instaurado em 1964, foram o resultado de uma ação generalizada e sistemática do Estado brasileiro”.

“Na ditadura militar, – seguia o relatório – a repressão e a eliminação de opositores políticos se converteram em política [de] Estado, concebida e implementada a partir de decisões emanadas da presidência da República e dos ministérios militares.”

E, ainda, acrescenta: “ao examinar as graves violações de direitos humanos da ditadura militar, a CNV refuta integralmente, portanto, a explicação que até hoje tem sido adotada pelas Forças Armadas, de que as graves violações de direitos humanos se constituíram em alguns poucos atos isolados ou excessos, gerados pelo voluntarismo de alguns poucos militares”.

Não vivi os ‘anos de chumbo’. Não fui vítima direta de perseguições. Não tive membros da minha família perseguidos. Mas, mesmo assim, não posso aceitar discursos que defendam qualquer possibilidade de intervenção dessa natureza. Não posso aceitar que pessoas (jovens em grande maioria!) inteligentes invadam as ruas com o discurso pró-golpe!

O único recurso aceitável é o voto!

Mas o voto consciente, respaldado pela informação livre e comprometida com a variedade de versões do fato. Voto referendado no cotidiano pela saudável e necessária participação popular. Voto de pessoas dispostas a não só comparecer às urnas, mas determinadas ao exercício do benéfico controle social.

Intervenção, apenas aquele feitas nas consciências, pela educação emancipadora, pela transformação de si em primeiro lugar e conseqüentemente do outro, pelo contágio social, pelo exemplo edificante e pelo diálogo permanente!

Democracia, sempre!

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Você conhece o Mario?
13/03/2015 18h50 - em Círculo Umanisté de Estudos
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“O homem é um fim e não um meio.
Utilizá-lo, transformá-lo em peça de um mecanismo, é ofender a sua dignidade.”


( Mário Ferreira dos Santos )


Citar Olavo de Carvalho, o filósofo das polêmicas, é sempre muito complicado. Mas, nesse caso, especificamente, impossível não fazê-lo; por uma questão de justiça. Não a ele, mas a Mario Ferreira dos Santos, um filósofo pouco conhecido, mas que possui uma obra de fôlego.

Conheça o Mario!

No artigo “Mario Ferreira do Santos e o nosso futuro”, o filósofo das polêmicas diz:

“Quando a obra de um único autor é mais rica e poderosa que a cultura inteira do seu país, das duas uma: ou o país consente em aprender com ele ou recusa o presente dos céus e inflige a si próprio o merecido castigo pelo pecado da soberba, condenando-se ao definhamento intelectual e a todo o cortejo de misérias morais que necessariamente o acompanham.”

E prossegue:

“Não tenho a menor dúvida de que, quando passar a atual fase de degradação intelectual e moral do país e for possível pensar numa reconstrução, essa obra, mais que qualquer outra, deve tornar-se o alicerce de uma nova cultura brasileira. A obra, em si, não precisa disso: ela sobreviverá muito bem quando a mera recordação da existência de algo chamado “Brasil” tiver desaparecido. O que está em jogo não é o futuro de Mário Ferreira dos Santos: é o futuro de um país que a ele não deu nada, nem mesmo um reconhecimento da boca para fora, mas ao qual ele pode dar uma nova vida no espírito.”

Leia o artigo “
Mario Ferreira dos Santos e o nosso futuro”. Vale cada linha!

>> Obras editadas recentemente pela
Editora É Realizações.

Conheci Mario Ferreira dos Santos, como grande parte dos autores que mais gosto de ler, ao acaso. O livro ‘saltou’ da prateleira nas minhas mãos. Nesse caso, o livro foi “
Filosofia e Cosmovisão” , um livro de 1952. Coincidentemente, conhecedores do autor afirmam ser esse o melhor modo de conhecê-lo.

Como disse, a obra dele é uma obra de fôlego. São 10.000 páginas, mais de 45 obras em 15 anos. Obra de um outsider, um pensador que não se vinculou à academia e suas amarras. Por isso, no meu entender, tão genial. Santos dedicou sua vida à filosofia. Viveu dá e para a filosofia. Publicou os próprios livros e os vendia ‘de porta em porta'. Toda sua obra foi, praticamente, editada por seus selos editorais (Logos e Matese). Começou a publicar em 1946, mas de 1954 a 1968 intensificou e  foi provavelmente o autor que mais publicou no Brasil. Desconheço obra tão vasta, rica e profunda.

A obra de Mario Ferreira é tão extensa e rica, que eleger livros principais seria sacrilégio desse blogueiro, que ainda está em estagio de paquera com esse ícone desconhecido da filosofia nacional. Entretanto, dois links podem forcecer elementos iniciais importantes aos curiosos:

>> Filosofia Concreta, site destinado a estudar o legado do autor.

>> 
Entrevista com Luís Mauro Sá Martino, professor da Fundação Cásper Líbero e estudioso da obra de Mário Ferreira dos Santos

>>
Mário, o grande (desconehcido) filósofo brasileiro, em Conhecimento Prático: Filosofia.


Mario Ferreira foi, possivelmente, um dos maiores filósofos brasileiros do século XX. Infelizmente esquecido após sua morte por não ter criado ‘discípulos’ e por ter se afastado do campo acadêmico, o que acabou "fechando o campo acadêmico para si", afirma Sá Martino.

Há, ainda, a bobagem dos rótulos. Mario Ferreira não é bem visto pelos marxistas. É considerado um conservador.  Mas isso é um outra história que pretendo retomar em algum outro momento quando tiver mais profundidade.

Caso queira acessar algumas obras dele, acessem a
pasta no meu drive.

Conheça também
Vicente Ferreira da Silva, outro grande desconhecido da filosofia Brasileira.

Boa leitura!

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A Vida Intelectual , por A. D. Sertillanges
09/03/2015 23h30 - em Leituras sociológicas
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Em minha vida, li alguns livros.

Talvez o mais marcante deles, até o momento, seja “
A Vida Intelectual”, de A. D. Sertillanges. Nesse rico ensaio, o filósofo e teólogo Frances afirma que

“Tendemos a pensar que a vida intelectual é alguma enorme intuição que vem a nós numa agradável manhã, enquanto nos barbeamos ou tomamos café. Sertillanges não nega que alguma intuição nos chega dessa forma. Mas, o curso normal das coisas exigirá, ao contrário, uma preocupação permanente em perseguir a verdade, em conhecer, em ser curioso sobre a realidade.”

Trata-se de um livro para sorver aos poucos e vagarosamente. Ler e reler refletindo a cada página superada. O livro de Sertillangers é para estar sempre à mão, na mesa de trabalho. Não lê-lo é negligenciar um conselho para a vida, para a formação daquele que se propõe o desafio da atividade intelectual séria.

Sinopse

A Vida Intelectual, do padre A.-D. Sertillanges, redigida originalmente em 1920, ainda se mantém atual para os leitores do novo milênio.

Para aqueles que desejam não apenas um manual prático que permita esboçar orientações de como entrar na vida dos estudos, o livro vai além e também oferece um exemplo de vida bem-sucedida no mundo intelectual – a do próprio padre Sertillanges, que por meio de dicas preciosas permite e disponibiliza, para qualquer pessoa que tenha abertura e coragem necessárias, uma nova forma de viver que abrange gradualmente a dimensão intelectual e todos os percalços que essa vida traz consigo.

A vida intelectual não é uma dimensão separada da vida prática, e sim abarca e transcende esta, trazendo novas possibilidades e responsabilidades diante de si, dos outros e do mundo.

Assim, o espírito de uma vida intelectual está no fato de que se ela transcende a vida prática, deve ser no sentido de propiciar um maior entendimento dela. Suas condições são os valores éticos, como a honestidade intelectual e a sinceridade. Seu método consiste nos exemplos que percorrem toda a escrita do padre Sertillanges.

Este livro é dedicado a todos aqueles que desejam uma vida plena – em todas as suas potencialidades, e não há nada mais atual que esse desejo.


Para adquirir a obra, clique
aqui.
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Em cima do muro
05/03/2015 13h44 - em Meus pitacos
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Não se defina!
 
A metáfora ‘estar em cima do muro’ pode ser uma boa metáfora, dependendo dos muitos pontos de vista que se escolha para enxergar o mundo e discutir questões políticas, ecoômicas e até mesmo pessoais, de foro íntimo.

A vida me oportunizou grandes mestres. Um deles, sem sombra de dúvidas, foi o arquiteto e urbanista Lincoln Botelho, um professor universitário que ministrou brilhantes aulas de políticas públicas e direito constitucional durante minha graduação, em 2006/2007. Ele ensinou-me muitas coisas importantes sobre gestão pública. Mas, sua lição mais importante pode ser sintetizada numa breve frase: “Não se rotule!”

Essa frase me perseguiu durante algum tempo. Minha juventude foi uma juventude de muitos conflitos, a maioria deles ideológicos e políticos. Eu sempre [achei que] era um liberal de direita. Mas, nas conversa com Lincoln, minhas convicções sempre era colocadas em xeque. Por exemplo, como podia ser um conservador (de direita) liberal se eu desejava um serviço público forte, com servidores valorizados, uma saúde 100% públicas e sem a perniciosa  possibilidade da saúde suplementar? Ou, ainda, como poderia ser eu um progressista (de esquerda) estatista se não concordava com o alistamento militar obrigatório e apoiava algumas (não todas) políticas de privatização e me dedicava a iniciativas empreendedoras que pressupunham livre comércio?

Eram contradições ideológicas que me inquietaram por muito tempo.

Aprendi que me definir como de esquerda, direita, liberal ou estatista implicava em assumir posições radicais em área econômicas e pessoais. E essas posições radicais nem sempre são possíveis. Assim, mesmo reconhecendo a importância do
diagrama de Nolan (imagem ao lado) como um modelo capaz de agregar mais posicionamentos e situar visualmente, de maneira detalhada, o pensamento de cada grande grupo político, não concordo que ele sirva para avaliar e ‘rotular’ ou ‘definir’ posicionamentos individuais.

O conselho do Lincoln, na ocasião soou como 'fique em cima do muro e não tome partido'; mas no fundo, a metáfora do “ficar em cima do muro” pode extrapolar ao mero ‘seja oportunista’ e ‘não escola um lado’. Mas, o que ele quis me mostrar (eu acho) e que compreendi anos mais tarde é que nem todas suas posições precisam ser de esquerda, de direita, estatistas ou libertárias. Estar em cima do muro (ou no centro) permite fazer escolhas não radicais, mas nem por isso, equivocadas ou menos importantes para que o mundo se transforme em algo melhor.

Estar em cima do muro, não precisa ser encarado como uma metáfora negativa para o oportunismo de quem não quer assumir posições. Pelo contrário, pode ser uma metáfora positiva de quem escolhe distanciar-se para observar a complexidade do mundo e escolher que posições tomar de forma moderada e equilibrada, analisando cada caso em seu devido contexto.

Rótulos são como presentes de grego: você os aceita apenas se quiser.

O patrulhamento ideológico é uma praga; por isso, não se defina!
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É preciso decrescer!
03/03/2015 17h11 - em Leituras sociológicas
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Decrescimento econômico?

Em um primeiro momento, dizer que é preciso decrescer soa estranho. Mas, depois de conhecer “Pequeno Tratado do Decrescimento Sereno” de Serge Latouche, a estranheza desaparece e sobra esperança, crença e uma animadora perspectiva de futuro para além do consumismo e do produtivismo; dois monstros elevados ao patamar de santos pelo Deus capitalismo.

Para Latouche, o crescimento ilimitado sugere consequências desastrosas para o meio ambiente e portanto para a humanidade e, assim, o decrescimento econômico emerge como uma espécie de slogan político capaz de enfrentar o produtivismo e promover um abandono gradual da idéia de crescimento ilimitado.


Leia também:

Pour une société de décroissance
, Le Monde diplomatique (em francês); e, o
verbete na Wikipedia
(especialmente as referências).

A idéia que temos de decrescimento é a de um crescimento negativo. Essa idéia equivocada nos faz acreditar que “a mera diminuição da velocidade de crescimento mergulha nossas sociedades na incerteza, aumenta as taxas de desemprego e acelera o abandono dos programas sociais, sanitários, educativos, culturais e ambientais que garantem o mínimo indispensável de qualidade de vida”. Mas, o que Latouche propõe em seu Tratado, segue uma outra vertente, por assumir um outro ponto de vista.

Trata-se de uma proposta necessária para que volte a se abrir o espaço da inventividade e da criatividade do imaginário bloqueado pelo totalitarismo economicista, desenvolvimentista e progressista e, assim, a meta que o decrescimento propõe é a construção de uma sociedade em que se viverá melhor trabalhando e consumindo menos.

Para que possamos compreender essa idéia de decrescimento, faz-se necessário empreender o entendimento de um ciclo, conforme preconizado pelo autor:

  1. reavaliar;
  2. reconceitualizar;
  3. reestruturar;
  4. redistribuir;
  5. relocalizar;
  6. reduzir;
  7. reutilizar
  8. reciclar.

Grosso modo, podemos compreender esse ciclo a partir compreensão de que os valores que nortearam nossa sociedade no passado são incompatíveis com os desafio que o presente impõe.

A tese do decrescimento propõe, desse modo, cooperação, vida social e autonomia como valores indispensáveis e necessários à substituição de outros ultrapassados: competição desenfreada, o consumo ilimitado e a eficiência produtivista. Destarte, outra maneira de apreender a realidade se coloca e assim, o sistema econômico vigente precisaria ser reestruturado, assim como a redistribuição das riquezas provenientes dessa nova estrutura social que emergirá. Em conseqüência disso, possivelmente, acontecerá uma relocalização da produção em nível local que sugerem, por sua vez, a possibilidade de diminuição do impacto na biosfera por conta de nossas novas maneiras de produzir e consumir, inclusive pela valorização da reutilização e reciclagem.

LATOUCHE, Serge. Pequeno tratado do crescimento sereno. São Paulo: Martins Fontes, 2009.

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