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Gestor público, publicitário, especialista em Sociologia, com extensão em políticas públicas e jornalismo de políticas públicas... Perfil Completo
Mensagem do dia 18/08/2011 11h48

Aprendi a não tentar convencer ninguém. O trabalho de convencer é uma falta de respeito, é uma tentativa de colonização do outro. 

(José Saramago)
Ter consciência do Real
01/06/2015 17h01 - em Círculo Umanisté de Estudos
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Um novo ensaio de Schuon

Há um site muito legal sobre
Frithjof Schuon, grande represetante da filosofia perene. Lá, além de um rico conteúdo sobre Schuon, há uma tradução inédita, do francês, de um pequeno mas muito bonito ensaio de Schuon que faz parte do livro O Jogo das Máscaras (Le Jeu des Masques, Editions L’Age d’Homme, Suíça, 1992).

Copio a tradução, publicada originalmente em Publicado em 21 de janeiro de 2015, no site sobre
Frithjof Schuon.

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Ter consciência do Real

A razão de ser da inteligência humana e, consequentemente, do homem é a consciência do Absoluto, além, mas também no interior, da consciência das contingências. Se é para se distrair em futilidades ou para levar uma vida de formigas, não valeria a pena nascer no estado humano, e o fenômeno da inteligência humana – reduzida a um luxo inútil – não seria explicável.

Em conexão com a vocação do homem, é necessário compreender corretamente o argumento ontológico de Santo Anselmo: ele não significa que a capacidade de imaginar não importa o quê prove a existência da coisa imaginada; ele significa que a capacidade de conceber Deus prova uma envergadura espiritual que só se explica pela realidade de Deus. Segundo o mesmo Doutor, a fé vem antes do conhecimento (credo ut intelligam); em suma, a fé é apresentada aqui como a qualificação para a intelecção, o que quer dizer que, a fim de poder compreender, é preciso ter o senso do transcendente e do sagrado. Mas o inverso também é verdade: “Eu compreendo a fim de que eu acredite” (intelligo ut credam) – o que ninguém jamais disse – poderia significar que antes de possuir uma certeza quase existencial das realidades transcendentes é importante apreender a doutrina. Sob certo aspecto, a predisposição do coração é a chave para a verdade metafísica refletida na mente; sob outro aspecto, este conhecimento conceitual é a chave da ciência do coração.

“Bem-aventurados os que terão acreditado sem ter visto”: trata-se aqui do homem exterior, imerso no dédalo dos fenômenos. A fé é a intuição do transcendente; a incredulidade provém da camada de gelo que cobre o coração e exclui essa intuição. Em linguagem mística, o coração humano é seja “líquido”, seja “endurecido”; ele também já foi comparado a um espelho que está seja polido, seja enferrujado. “Os que terão acreditado”: os que colocam a intuição do sobrenatural acima de um raciocínio rasteiro e separado de suas raízes.

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A vocação do homem, dissemos, é a consciência do Absoluto; a parábola da viúva perseverante e do juiz injusto nos lembra que esta consciência, que é “agora”, deveria ser “sempre”, ou seja, que seu próprio conteúdo exige a totalidade; ela deveria ser “sempre”, sob pena de não ser “nunca”. Contudo, “orar sem cessar”, como quer São Paulo, não poderia implicar uma continuidade perfeita, irrealizável na vida terrena; de fato, a perseverança opera por ritmos – rigorosos ou aproximativos –, e são eles que fazem o papel de perpetuidade. Os vazios inevitáveis entre os atos espirituais são recipientes da graça – os anjos fazem por nós o que não podemos fazer –, de modo que a vida de oração não sofre nenhuma descontinuidade.

Nada nos dá o direito de esquecer o Essencial; por certo, nossa existência terrena está tecida de prazeres e de labores, de alegrias e de pesares, de esperanças e de temores, mas nada disto tem medida comum com a consciência do Absoluto e com nosso dever quase-ontológico de praticá-la. “Deixai os mortos enterrarem seus mortos”, disse Cristo, e acrescentou: “E sigai-me”; a saber, na direção do “reino de Deus que está dentro de Vós” [1].

A fim de sermos assim fiéis a nós mesmos, necessitamos de argumentos irrecusáveis: chaves que nos permitam permanecer na consciência do Sumo Bem a despeito dos problemas do mundo e da alma. O argumento fundamental é que “Brahma é real, o mundo é ilusório” (Brahma satyam jagan mithyâ), o que põe um fim a todas as artimanhas da mâyâ terrena; sem dúvida, este argumento é intelectual e psicologicamente dos mais exigentes, dado que ele pressupõe uma intuição concreta do Real, não apenas uma ideia abstrata; assim, ele deve se acompanhar de outras ideias-chaves, mais próximas de nossa experiência terrena e cotidiana.

No plano de nosso relacionamento humano com Deus, o primeiro argumento que se impõe é a evidência de que o mundo não pode ser diferente do que ele é e que não podemos mudá-lo; que é preciso, portanto, resignarmo-nos ao que não pode não ser, e resistir a toda tentação de revolta – mesmo que inconsciente – contra o destino e contra a natureza das coisas; é o que se chama “aceitar a vontade do Céu”. À qualidade de resignação se junta a de confiança; a Divindade é substancialmente benevolente, sua bondade intrínseca tem primazia em relação a seu rigor quase acidental; estar consciente disto é permanecer na paz e saber que tudo está nas mãos de Deus.

Em muitos casos, pouco importa que nosso justo direito seja salvaguardado; o egoísmo – ou, digamos, a parcialidade de não suportar nenhuma injustiça – é um sério obstáculo em nosso relacionamento com o Céu, e é por isto que Cristo prescreveu amar os inimigos[2] e oferecer a face esquerda. Em poucas palavras, é preciso saber esquecer-se de si mesmo diante de Deus e em vista de nossos fins últimos, e isto tanto mais quanto, em última análise, é só neste clima de desapego que podemos ter acesso à certeza ao mesmo tempo transcendente e imanente de que “a alma não é senão Brahma” (jivo brahmaiva nâparah) [3].

Às qualidades de resignação e confiança deve se juntar a de gratidão: com frequência, a recordação das boas coisas de que gozamos – e das quais, eventualmente, outros não gozam – pode atenuar uma provação e contribuir para a serenidade exigida pela consciência do Absoluto. Outro argumento, por fim, é baseado em nossa liberdade: somos livres para fazer o que queremos fazer, para ser o que queremos ser; nenhuma sedução ou provação pode nos impedir de recorrer à consciência salvífica do Sumo Bem.

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Em nossa consciência de Deus, nosso desejo de libertação se encontra com a vontade de Deus de nos libertar; a oração é ao mesmo tempo uma questão e uma resposta. Se “a beleza é o esplendor do verdadeiro”, o mesmo pode-se dizer da bondade; se o bem tende a se comunicar, é porque ele tende também a nos libertar.

A injunção de Cristo para “amar a Deus com todo o teu coração, com toda o tua alma, com toda a tua força e com toda a tua mente” nos relembra que a consciência do Absoluto é absoluta: que não podemos conhecer e amar Aquilo que é a única coisa que é senão com tudo o que somos. A unicidade do objeto exige a totalidade do sujeito; o que indica que, em última análise, o objeto e o sujeito se encontram na Realidade pura, ao mesmo tempo Essência indiferenciada e Causa suprema, portanto Origem de todas as diferenciações. Quem diz Absoluto, diz Infinito e, por consequência, manifestação e diversidade; e a projeção do Bem implica ontologicamente o retorno ao Bem.

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Discernimento e contemplação; concentração e perseverança; resignação e confiança; humildade e caridade. A espiritualidade é o que é o homem: feita de inteligência, de vontade e de sentimento – as três faculdades tendo a qualidade principial de objetividade, sob pena de não serem humanas –, a espiritualidade tem como elementos constitutivos a Verdade, a Via e a Virtude; esta dando origem a dois polos complementares, a humildade e a caridade, precisamente. A Via está ligada à Verdade; a Virtude está ligada à Verdade e à Via.

A humildade prolonga – em modo moral – o elemento Verdade ou Conhecimento porque este nos ensina a proporção das coisas; o homem não poderia conhecer a Realidade metafísica sem se conhecer a si mesmo. A Caridade, por sua vez, prolonga o elemento Via ou Realização porque este elemento apela essencialmente para a Graça; o homem não poderia merecer a misericórdia sem ser ele mesmo misericordioso. Aquele que se eleva indevidamente a si mesmo será abaixado, e aquele que se abaixa – em conformidade com a natureza das coisas – será elevado; e isto por participação na elevação do Real. E do mesmo modo: aquele que rejeita injustamente seu próximo será rejeitado por Deus, e aquele que aceita seu próximo – em conformidade com a justiça e com a generosidade –, Deus o aceitará; Ele que está oculto no “próximo” em virtude da onipresença do Si. Ter-se-á compreendido que a caridade se refere mais particularmente à imanência, e a humildade, à transcendência.

A priori, a metafísica é abstrata; mas ela não seria o que é se não desse origem a posteriori a prolongamentos concretos no plano de nossa existência humana e terrena. O Real engloba tudo o que é; a consciência do Real implica tudo o que somos.

[1] O mesmo significado nesta outra sentença: “Quanto a ti, quando orares, retira-te em teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai que está no segredo…” E também: “Todo aquele que põe a mão no arado e olha para trás não está apto para o Reino de Deus.” [2]. É a condenação, não da defesa de um direito vital, mas do excesso na defesa desse direito; justiça não é vingança. [3] Consciência que, por um lado, transcende o ego e, por outro, pertence a sua essência transpessoal.
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Metade de tudo
11/05/2015 18h15 - em Círculo Umanisté de Estudos
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Tradução de Simone Oliveira Zahran.

Colo a seguir, link para PDF de um capitulo  do livro No Boundary,  em que Ken Wilber explora o dualismo intrínseco da mente, oferecendo um caminho simples, mas convincente, para “transcender os pares” e descobrir o coração não dual do Sempre Presente. 

"Você já se perguntou por que a vida se manifesta em opostos? Por que tudo o que você valoriza é uma ponta de um par de opostos? Por que todas as decisões estão entre opostos? Por que todos os desejos são baseados entre opostos?

Note que todas as dimensões espaciais e direcionais são opostas: acima vs. abaixo, dentro vs. fora, alto vs. baixo, grande vs. pequeno, norte vs. sul, esquerda vs. direita, comprido vs. curto. E observe que todas as coisas que consideramos sérias e importantes são um dos polos de um par de opostos: bom vs. mau, vida vs. morte, prazer vs. dor, Deus vs. Satanás, liberdade vs. vínculo.

Do mesmo modo, nossos valores sociais e estéticos são sempre colocados em termos de opostos: sucesso vs. fracasso, lindo vs. feio, forte vs. fraco, inteligente vs. estúpido.  Mesmo nossas abstrações mais elevadas repousam em opostos. A lógica, por exemplo, refere-se a verdadeiro vs. falso; a epistemologia, a aparência vs. realidade; a ontologia, a ser vs. não ser. Nosso mundo parece ser uma coleção maciça de opostos. 

Este fato é tão corriqueiro, que mal precisa ser mencionado; mas quanto mais se pondera acerca dele, mais ele se torna espantosamente peculiar. Porque a natureza, ao que parece, desconhece esse mundo de opostos no qual as pessoas vivem. A natureza não produz sapos verdadeiros e falsos, nem árvores morais e imorais, tampouco oceanos certos e errados. Não há traços na natureza de montanhas éticas e não éticas. Nem há algo como espécies bonitas e espécies feias – ao menos não as há para a natureza, que se satisfaz em produzir espécies de todos os tipos. Thoreau disse que a Natureza nunca se desculpa; aparentemente, porque a Natureza não conhece os opostos certo e errado, e, assim, não reconhece o que os humanos imaginam ser “erros”.

É certamente verdade que algumas das coisas as quais nós chamamos “opostas” parecem existir na Natureza. Há, por exemplo, sapos grandes e pequenos, árvores grandes e pequenas, laranjas maduras e verdes. Mas isso não é um problema para eles, e não os leva a crises de ansiedade. Pode até haver ursos espertos e outros bobos, mas isso não parece preocupá-los muito. Você simplesmente não encontra complexo de inferioridade em ursos.

Da mesma forma, há vida e morte no mundo da natureza, mas, novamente, isso não parece sustentar as dimensões terríveis ligadas a elas no mundo dos humanos. Um gato bem velho não é arrebatado por torrentes de terror na iminência da sua morte. Ele simplesmente caminha calmamente para um mata, enrola-se sob uma árvore e morre. Um pintassilgo em estado terminal aninha-se num ramo de árvore e fita o pôr do sol. Quando ele, finalmente, não consegue mais ver a luz, fecha os olhos pela última vez e gentilmente cai no chão. Tão diferente de como os humanos enfrentam a morte:

Não siga gentil em direção àquela boa noite de fúria, fúria contra a morte da luz. 

Clique no link para
ler o texto completo em PDF.

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Além do Materialismo Espiritual
07/05/2015 14h34 - em Círculo Umanisté de Estudos


por Chögyam Trungpa Rinpoche

Transcrição da introdução do livro...

A série de palestras aqui contida foi proferida em Boulder, Colorado, no outono de 1970 e na primavera de 1971. Naquela ocasião, estávamos formando Karma Dzong, nosso centro de meditação em Boulder. Embora a maioria de meus alunos fossem sinceros em sua aspiração de seguir o caminho espiritual, traziam para o caminho uma grande dose de confusão, mal-entendidos e expectativas. Desse modo, julguei necessário apresentar a meus alunos um apanhado geral do caminho, com algumas advertências acerca dos perigos que poderiam encontrar ao percorrê-lo.

Parece agora que a publicação dessas palestras poderá ser útil àqueles que se interessam por disciplinas espirituais. O percurso correto do caminho espiritual é um processo muito sutil e não alguma coisa a que possamos atirar-nos ingenuamente. Existem numerosos desvios que levam a uma distorção egocentrada da espiritualidade; podemos iludir-nos imaginando que estamos nos desenvolvendo espirtualmente quando, na verdade, não fazemos senão fortalecer nosso egocentrismo por meio de técnicas espirituais. A essa distorção básica pode dar-se o nome de materialismo espiritual.

As palestras discutem, em primeiro lugar, as várias maneiras pelas quais as pessoas se envolvem com o materialismo espiritual, as muitas formas de auto-ilusão em que os aspirantes podem cair. Depois desse passeio pelos desvios ao longo do trajeto, discutimos o verdadeiro caminho espiritual em seu contornos mais amplos.

O que se apresenta aqui é um enfoque budista clássico — não no sentido formal, mas no sentido de mostrar o cerne do enfoque budista da espiritualidade. Apesar de não ser teísta, o caminho budista não contradiz as disciplinas teístas. As diferenças entre os caminhos são mais uma questão de ênfase e de método. Os problemas básicos do materialismo espiritual são comuns a todas as disciplinas espirituais. O enfoque budista começa com a nossa confusão e o nosso sofrimento, e atua no sentido de destrinchar sua origem. O enfoque teísta começa com a riqueza de Deus e atua no sentido de elevar a consciência de modo que ela experimente a presença de Deus. Todavia, dado que os obstáculos ao relacionamento com Deus são as nossas confusões e negatividades, o enfoque teísta também precisa lidar com elas. O orgulho espiritual, por exemplo, causa tantos problemas nas disciplinas teístas quanto no budismo.

De acordo com a tradição budista, o caminho espiritual é o processo de atravessar e superar a nossa confusão, de descobrir o estado desperto da mente. Quando este estado se encontra entulhado pelo ego e pela paranóia que o acompanha, assume o caráter de um instinto subliminar. Dessa forma, não se trata de construir o estado desperto da mente, mas sim de queimar as confusões que o obstruem. No processo de consumir as confusões, descobrimos a iluminação. Se o processo fosse outro, o estado desperto da mente seria um produto dependente de causa e efeito e, assim, passível de.dissolução. Tudo o que é criado, mais cedo ou mais tarde, tem de morrer. Se a iluminação fosse criada dessa maneira, haveria sempre a possibilidade de o ego reafirmar-se, provocando um retomo ao estado de confusão. A iluminação é permanente porque não a produzimos; apenas a descobrimos. Na tradição budista, a analogia do Sol que surge por trás das nuvens é freqüentemente empregada para explicar o descobrimento da iluminação. Na prática da meditação, removemos a confusão do ego a fim de vislumbrar o estado desperto. A ausência da ignorância, da sensação de opressão, da paranóia, descerra uma visão fantástica da vida. Descobrimos um modo diferente de ser.

O cerne da confusão é o fato de o homem ter um senso de ego que lhe parece contínuo e sólido. Quando ocorre um pensamento, uma emoção, ou um evento, há o sentido de que alguém tem consciência do que está acontecendo. Você sente que você está lendo estas palavras. Esse senso do eu, na realidade, é um evento transitório, descontínuo, que em nossa confusão parece perfeitamente estável e contínuo. Como tomamos por real a nossa visão confusa, lutamos para manter e incrementar esse eu sólido. Tentamos alimentá-lo com prazeres e escudá-lo contra a dor. A experiência ameaça continuamente revelar-nos nossa transitoriedade, de modo que lutamos continuamente para encobrir qualquer possibilidade de descoberta da nossa verdadeira condição. “Mas”, poderíamos perguntar, “se a nossa verdadeira condição é um estado desperto, por que nos ocupamos tanto em evitar que tomemos consciência disso?” Porque estamos tão imersos em nossa confusa visão do mundo que consideramos real o único mundo possível. Essa luta por manter o senso de um eu sólido e contínuo é obra do ego.

O ego, contudo, consegue apenas sucesso parcial em sua tentativa de defender-nos do sofrimento. É a insatisfação que vem junto com a luta do ego que nos inspira a examinar o que estamos fazendo. E, uma vez que sempre existem hiatos na consciência que temos de nós mesmos, torna-se possível algum discernimento.Uma interessante metáfora empregada no Budismo tibetano para descrever o funcionamento do ego é a dos ‘Três Senhores do Materialismo”: o “Senhor da Forma”, o “Senhor da Fala”, e o “Senhor da Mente”. Na discussão que se segue sobre os Três Senhores, as palavras “materialismo” e “neurótico” dizem respeito à ação do ego.

O Senhor da Forma refere-se à perseguição neurótica do conforto físico, da segurança e do prazer. Nossa sociedade altamente organizada e tecnológica reflete nossa preocupação em manipular o ambiente físico de modo a nos salvaguardar das irritações provenientes dos aspectos crus, rudes e imprevisíveis da vida. Elevadores acionados por botões de comando, carne empacotada, ar condicionado, privadas com descarga de água, velórios particulares, planos de aposentadoria, produção em massa, satélites meteorológicos, máquinas de terraplenagem, luzes fluorescentes, empregos das nove às cinco, televisão — tudo são tentativas de criar um mundo controlável, seguro, previsível e prazeroso.

O Senhor da Forma não significa as situações de vida em si que criamos para serem fisicamente ricas e seguras. Refere-se, antes, à preocupação neurótica que nos impele a criá-las, a tentar controlar a Natureza. O ego ambiciona assegurar-se e entreter-se, buscando evitar toda e qualquer irritação. Desse modo, agarramo-nos aos nossos prazeres e propriedades, tememos mudanças ou forçamos mudanças, tentamos criar um ninho ou um playground.

O Senhor da Fala tem a ver com o emprego do intelecto no relacionamento com o mundo. Adotamos grupos de categorias que servem como alavancas, como meios para manipular fenômenos. Os produtos mais plenamente desenvolvidos dessa tendência sâo as ideologias, os sistemas de idéias que racionalizam, justificam e santificam nossas vidas. Nacionalismo, comunismo, existencialismo, Cristianismo, Budismo — todos nos proporcionam identidades, regras de ação e interpretações de como e por que as coisas acontecem como acontecem. Aqui, novamente, o emprego do intelecto não é em si mesmo o Senhor da Fala. O Senhor da Fala indica a inclinação do ego a interpretar o que quer que seja ameaçador ou irritante de modo a neutralizar a ameaça ou transformá-la em algo “positivo” do ponto de vista do ego.

O Senhor da Fala refere-se ao uso de conceitos como filtros que nos resguardam de uma percepção direta do que é. Os conceitos são levados demasiado a sério; são utilizados como instrumentos para solidificar o nosso mundo e a nós mesmos. Se existe um mundo com coisas a que se possa dar nomes, então o “eu”, como uma das coisas nomeáveis, também existe. Nosso desejo é não deixar espaço algum para dúvidas ameaçadoras, para a incerteza ou a confusão.

O Senhor da Mente refere-se ao esforço da consciência em conservar a percepção de si mesma. O Senhor da Mente impera quando usamos disciplinas espirituais e psicológicas como meios de conservar a consciência que temos de nós mesmos, de nos agarrar ao senso de eu. Drogas, ioga, orações, meditação, transes, várias psicoterapias — tudo pode ser usado com essa finalidade. O ego é capaz de converter tudo para seu uso próprio, inclusive a espiritualidade. Se prendemos, por exemplo, uma técnica de meditação dentro de uma prática espiritual particularmente benéfica, o ego se põe, primeiro, a tratá-la co mo um objeto de fascinação e, depois, a examiná-la. Por fim, visto que o ego é sólido apenas na aparência e não pode, de fato, absorver coisa alguma; só é capaz de arremedar. Em tais circunstâncias, ele procura examinar e imitar a prática da meditação e o modo de vida meditativo. Depois de aprendermos todos os truques e todas as respostas do jogo espiritual, tentamos imitar automaticamente a espiritualidade, já que o envolvimento verdadeiro exigiria uma completa eliminação do ego, e a última coisa que desejamos fazer é renunciar completamente a ele. Entretanto, não podemos experimentar aquilo que estamos tentando imitar; podemos apenas encontrar alguma área dentro dos limites do ego que pareça ser a mesma coisa. O ego traduz tudo em termos do seu próprio estado de saúde, de suas qualidades intrínsecas. Experimenta um sentido de grande realização e excitação quando consegue criar um modelo desse tipo. Finalmente criou um feito tangível, uma confirmação de sua própria individualidade.

Se formos bem-sucedidos em manter a consciência que temos de nós mesmos através de técnicas espirituais, o desenvolvimento espiritual autêntico será altamente improvável. Nossos hábitos mentais se tomam tão fortes que fica difícil penetrá-los. Podemos até chegar ao desenvolvimento totalmente demoníaco da completa “Egoidade”. Embora o Senhor da Mente detenha o maior poder para subverter a espiritualidade, os outros dois Senhores podem também reger a prática espiritual. O retiro no seio da Natureza, o isolamento, a gente simples, sossegada, digna — tudo pode ser meio para nos proteger da irritação, tudo pode ser expressão do Senhor da Forma. Ou talvez a religião nos forneça uma racionalização para criarmos um ninho seguro, um lar singelo mas confortável, para conseguirmos um companheiro afável e um emprego estável e fácil.

O Senhor da Fala também se envolve com a prática espiritual. Ao seguir um caminho espiritual, podemos substituir nossas crenças anteriores por uma nova ideologia religiosa, continuando, porém, a usá-la da antiga maneira neurótica. Por mais sublimes que sejam nossas idéias, se as tomamos com excessiva seriedade e as utilizamos para manter nosso ego, ainda assim estaremos sendo governados pelo Senhor da Fala.

Se examinarmos nossos atos, quase todos concordaremos, provavelmente, em que somos governados por um ou mais dos Três Senhores. “Mas”, poderíamos perguntar, “e daí? Isto é simplesmente uma descrição da condição humana. Sim, sabemos que a tecnologia não consegue pôr-nos a salvo de guerras, crimes, doenças, insegurança econômica, trabalho laborioso, velhice e morte; tampouco nossas ideologias nos resguardam da dúvida, incerteza, confusão e desorientação; nem podem as nossas terapias proteger-nos da dissolução dos altos estados de consciência que viermos temporariamente a alcançar ou da desilusão e angústia daí decorrentes. Mas que outra coisa podemos fazer? Os Três Senhores parecem poderosos demais para serem derrubados e não sabemos com que poderíamos substituí-los.”

Perturbado por essas indagações, o Buda examinou o processo pelo qual os Três Senhores governam. Investigou por que nossas mentes os seguem e se não havia um outro caminho. Descobriu que os Três Senhores nos seduzem criando um mito fundamental: o de que somos seres concretos. Todavia, o mito, em última análise, é falso, uma imensa burla, uma fraude gigantesca, a raiz do nosso sofrimento. Para fazer essa descoberta, ele precisou romper as defesas muito complexas erguidas pelos Três Senhores, com o fim de impedir que seus súditos descobrissem o engano fundamental que é a origem do poder deles. Não poderemos, de maneira alguma, livrar-nos do domínio dos Três Senhores a menos que nós, também, cortemos e atravessemos, camada por camada, as suas complexas defesas.

As defesas dos Senhores são criadas com material das nossas mentes, que eles utilizam para preservar o mito básico da solidez. A fim de enxergar por nós mesmos como este processo funciona, precisamos examinar nossa própria experiência. “Mas como,” podemos perguntar, “haveremos de conduzir este exame? Que método ou instrumento vamos usar?” O método descoberto pelo Buda foi a meditação. Ele verificou que lutar para encontrar respostas não surtia efeito. Só quando havia brechas na sua luta é que lhe acudiam discernimentos. Começou a dar-se conta de que existia dentro de si uma qualidade sadia e desperta que só se manifestava na ausência de luta. Por isso, a prática da meditação implica “deixar ser”.

Tem havido uma série de idéias errôneas acerca da meditação. Algumas pessoas a consideram um estado mental semelhante a um transe. Outras pensam nela em termos de treinamento, no sentido de ginástica mental. A meditação, contudo, não é nenhuma dessas coisas, embora lide com estados mentais neuróticos. Não é difícil nem impossível lidar com tais estados. Eles têm energia, pressa e um certo padrão. A prática da meditação implica deixar ser — uma tentativa de acompanhar o padrão, uma tentativa de acompanhar a energia e a velocidade. Dessa forma, aprendemos como lidar com esses fatores, como relacionar-nos com eles, não no sentido de fazê-los amadurecer como gostaríamos, mas no sentido de conhecê-los como são e de trabalhar com o seu padrão.

Há uma história sobre o Buda em que se conta como ele, de uma feita, transmitiu ensinamento a um famoso tocador de cítara que desejava estudar meditação. Perguntou o músico: "Devo controlar minha mente ou devo deixá-la completamente solta?". O Buda respondeu: "Visto que você é um grande músico, diga-me como afinaria as cordas do seu instrumento". Disse o músico: "Eu não as deixaria ficar nem demasiado retesadas nem demasiado frouxas". "Da mesma forma", acudiu o Buda, "na sua prática da meditação você não deve impor nada com demasiada força à sua mente, nem deve permitir que fique ao léu." Eis aí o ensinamento de como deixar a mente ser de um modo bastante aberto, de como sentir o fluxo da energia sem tentar sujeitá-lo e sem deixar que ele se descontrole, de como acompanhar o padrão da energia da mente. Essa é a prática da meditação.

Tal prática se faz necessária, via de regra, porque o padrão do nosso pensamento, o nosso modo conceitualizado de conduzir a vida, ou é demasiado manipulativo, impondo-se ao mundo, ou completamente desgovernado e sem controle. Por conseguinte, nossa prática da meditação precisa começar com a camada mais superficial do ego, com os pensamentos discursivos que estão sempre a atravessar-nos a mente, com a nossa tagarelice mental. Os Senhores empregam o pensamento discursivo como a sua primeira linha de defesa, como peões, em seu esforço para iludir-nos. Quanto mais geramos pensamentos, tanto mais ocupados nos tornamos mentalmente e tanto mais nos convencemos da nossa existência. Desse modo, os Senhores estão constantemente tentando ativar esses pensamentos, tentando criar uma constante sobreposição de pensamentos, para que nada mais se possa ver além deles. Na verdadeira meditação não existe a ambição de suscitar pensamentos, e tampouco existe a ambição de suprimi-los. Permite-se apenas que ocorram espontaneamente e se tornem a expressão de uma sanidade básica. Eles se tornam a expressão da precisão e da clareza do estado desperto da mente.

Se for vazada a sua estratégia de estar sempre criando pensamentos sobrepostos, os Senhores, então, agitam emoções para distrair-nos. A qualidade excitante, colorida e dramática das emoções nos prende a atenção como se estivéssemos assistindo a um filme absorvente. Na prática da meditação não encorajamos as emoções nem as reprimimos. Vendo-as com clareza, deixando que sejam como são, não mais permitimos que sirvam de meios para nos entreter e distrair. Dessa maneira, elas se tornam a energia inexaurível que executa a ação sem ego.

Na ausência de pensamentos e emoções, os Senhores introduzem uma arma ainda mais poderosa, os conceitos. A rotulação dos fenômenos cria a sensação de um mundo sólido e definido de "coisas". Um mundo estável reassegura que somos, igualmente, uma coisa sólida e contínua. O mundo existe e, portanto, eu, que o percebo, também existo. A meditação implica ver a transparência dos conceitos, de sorte que a rotulação já não serve como meio de solidificar o nosso mundo e a nossa imagem do eu. A rotulação passa a ser, simplesmente, ato de discriminação. Os Senhores ainda têm outros mecanismos de defesa, mas seria por demais complicado discuti-los no presente contexto.

Mediante o exame dos seus próprios pensamentos, emoções, conceitos e demais atividades mentais, o Buda descobriu que não precisamos lutar para provar nossa existência, não precisamos ficar sujeitos ao jugo dos Três Senhores do Materialismo. Não há necessidade de lutar para sermos livres; a ausência de luta, em si mesma, é liberdade. Esse estado desprovido de ego é a realização da natureza búdica. O processo de transformar o material da mente para que deixe de ser expressão da ambição do ego e passe a ser, por meio da prática da meditação, expressão da sanidade básica e da iluminação — eis o que poderíamos chamar de verdadeiro caminho espiritual. 

Leia 
livro completo em PDF.
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Espiritismo, Século XXI
30/04/2015 13h55 - em Círculo Umanisté de Estudos
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Dica de leitura:

Espiritismo, Século XXI
por Zalmino Zimmermann


Zimmermann é um daqueles autores espíritas que merecem atenção por sua obra consistente e de fôlego.

É magistrado aposentado, possui formação nas áreas do Direito e da Psicologia e incursões em outros Domínios. Exerceu as atividades de Juiz de Direito, Juiz Federal, Professor Titular da Faculdade de Direito e Professor Titular do Instituto de Psicologia da PUC-Campinas. Trabalhador incansável na seara, foi fundador e presidente da Associação Brasileira dos Magistrados Espíritas – ABRAME.

Publicou, pela Editora Allan Kardec, de Campinas-SP alguns livros muito interessantes. São eles: Descobrindo o Espiritismo (2002); Perispirito (2011); Teoria da Mediunidade (2012); Espiritismo, Século XXI (2012); e, o recente Compêndio de Espiritismo (2014).  

Na obra Espiritismo, Século XXI (imagem), que tive acesso recentemente, um fragmento de carta de  Gabriel Delanne, através da psicografia de Raul Teixeira, chamou minha atenção. Os grifos em itálico são meus e servem para marcar o trecho iluminado por Zimmermann.


Liberdade com o Espiritismo
Gabriel Delanne

"No seio do pensamento fulgente da Doutrina Espírita, todos achamos motivação para encetar os passos da nossa verdadeira libertação. Com Allan Kardec, o alcandorado amigo e ínclito Codificador do Espiritismo, torna-se menos complexa essa azáfama para a manumissão anelada. O mundo seria mais leve, e a vida humana mais fácil de ser vivida se conseguíssemos entender e usufruir a sonhada liberdade.


Libertar-se-ia a Ciência com o pensamento espírita se, ao encontrar o agente de tudo, o princípio inteligente do universo, o Espírito, se abstivesse de tudo atribuir somente aos fenômenos materiais, como princípio e fim de tudo. Verificaria, então, quão rica e grandiosa seria a visão científica, a partir do enriquecimento trazido pela constatação e valorização consciente do horizonte espiritual.

Libertar-se-ia a Filosofia por meio do pensamento espírita, quando pousasse suas reflexões, fosse qual fosse a escola de pensamentos sustentada, na realidade do ser imortal, ao conceber que o pensamento é atributo da alma. A partir disso, se tornaria mais simples a compreensão de que tudo quanto existe no campo da matéria densa não passa das elaborações da mente, do psiquismo do ser espiritual. Entenderia o filósofo, sob a profunda luz espírita, que há um caminho menos agreste para a compreensão do ser e da existência, bem como o sentido de tudo isso, nos mundos disseminados pelos espaços.

Libertar-se-ia a Fé Religiosa ante o pensamento espírita, qualquer que fosse a sua linha interpretativa dos fenômenos da alma, ao observar seriamente e penetrar o conhecimento das leis da natureza, base em que se apoia a estrutura espírita. Destronaria o interesse subalterno de dominação de consciências, valorizaria o trabalho de amadurecimento das consciências para a visão de Deus, o que aclararia a reflexão do crente para libertá-lo, por fim, da pieguice, do fanatismo, do fundamentalismo destrutivo.


Atido à grandeza do pensamento espírita, Allan Kardec presenteia a humanidade com a ensancha de estabelecer a libertação das criaturas, graças ao conhecimento da verdade, o que confirmaria o ensinamento do Cristo Jesus.

Se o conhecimento que estamos angariando na vida não nos é capaz de libertar da sombra generalizada, sombra do intelecto, sombra do sentimento, sombra da moral, algo está em equívoco. Ou esse conhecimento não é a expressão da verdade, ou, então, de nossa parte, não estamos assimilando devidamente seus conteúdos.

É hora de despertar, nessa fase aziaga da experiência humana. Estamos perante o extravasar de loucuras sem dimensão; achamo-nos diante das explosões do egoísmo; encontramo-nos submetidos a um tempo de graves pelejas provocadas por incontáveis almas aturdidas, infelizes em si mesmas, que pesam sobre o psiquismo terrestre, espalhando o seu infortúnio. É tempo de cuidados intensos para a inadiável marcha.

À frente de tudo isso, porém, raia o Sol portentoso do Espiritismo no cerne da Codificação de Kardec, que nos deverá aquecer e iluminar para a vitória, para a espiritual libertação.

Agora, quando rendemos ao Mestre de Lyon as justíssimas homenagens pela contagem desses dois séculos de seu último berço no mundo, sob os céus que cantavam as pautas da liberdade, da igualdade e da fraternidade, unimo-nos em oração para agradecer ao Criador por esse ensejo e por nosso júbilo, júbilo da família espírita do mundo, reunida em Paris.

Saudamos, pois, o Codificador, por haver-se tornado para nós o instrumento da liberdade que o Cristo anunciou para a humanidade inteira.

Com os mais cordiais votos de progresso e de paz, sou o servidor de todas as horas, o sempre amigo."

Para conhecer a obra de Zalmino Zimmermann, visite a Editora Allan Kardec.

* Mensagem psicografada pelo médium Raul Teixeira, por ocasião da sessão de encerramento do IV Congresso Espírita Mundial, em 05.10.2004, Paris-França

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51 anos de Golpe Militar!
01/04/2015 15h44 - em Meus pitacos
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Definitivamente, não foi uma boa ideia!

Há 51 anos – não por mera ironia, no dia internacional da mentira! – a caminhada democrática do Brasil e dos brasileiros era interrompida. Daquele dia em diante, por duas décadas, brasileiros e brasileiras que ao aceitaram esse cercear de direitos sangraram. Com eles, o aprendizado democrático foi retardado. Tudo isso com a conivência de grupos de comunicação que, anos depois, se tornaram grandes.

Cinqüenta anos depois, mais precisamente em dezembro de 2014, um relatório da Comissão nacional da verdade concluía que “as graves violações de direitos humanos perpetradas durante o período investigado pela CNV, especialmente nos 21 anos do regime ditatorial instaurado em 1964, foram o resultado de uma ação generalizada e sistemática do Estado brasileiro”.

“Na ditadura militar, – seguia o relatório – a repressão e a eliminação de opositores políticos se converteram em política [de] Estado, concebida e implementada a partir de decisões emanadas da presidência da República e dos ministérios militares.”

E, ainda, acrescenta: “ao examinar as graves violações de direitos humanos da ditadura militar, a CNV refuta integralmente, portanto, a explicação que até hoje tem sido adotada pelas Forças Armadas, de que as graves violações de direitos humanos se constituíram em alguns poucos atos isolados ou excessos, gerados pelo voluntarismo de alguns poucos militares”.

Não vivi os ‘anos de chumbo’. Não fui vítima direta de perseguições. Não tive membros da minha família perseguidos. Mas, mesmo assim, não posso aceitar discursos que defendam qualquer possibilidade de intervenção dessa natureza. Não posso aceitar que pessoas (jovens em grande maioria!) inteligentes invadam as ruas com o discurso pró-golpe!

O único recurso aceitável é o voto!

Mas o voto consciente, respaldado pela informação livre e comprometida com a variedade de versões do fato. Voto referendado no cotidiano pela saudável e necessária participação popular. Voto de pessoas dispostas a não só comparecer às urnas, mas determinadas ao exercício do benéfico controle social.

Intervenção, apenas aquele feitas nas consciências, pela educação emancipadora, pela transformação de si em primeiro lugar e conseqüentemente do outro, pelo contágio social, pelo exemplo edificante e pelo diálogo permanente!

Democracia, sempre!

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