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Gestor público, publicitário, especialista em Sociologia, com extensão em políticas públicas e jornalismo de políticas públicas... Perfil Completo
Mensagem do dia 18/08/2011 11h48

Aprendi a não tentar convencer ninguém. O trabalho de convencer é uma falta de respeito, é uma tentativa de colonização do outro. 

(José Saramago)
É preciso decrescer!
03/03/2015 17h11 - em Leituras sociológicas
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Decrescimento econômico?

Em um primeiro momento, dizer que é preciso decrescer soa estranho. Mas, depois de conhecer “Pequeno Tratado do Decrescimento Sereno” de Serge Latouche, a estranheza desaparece e sobra esperança, crença e uma animadora perspectiva de futuro para além do consumismo e do produtivismo; dois monstros elevados ao patamar de santos pelo Deus capitalismo.

Para Latouche, o crescimento ilimitado sugere consequências desastrosas para o meio ambiente e portanto para a humanidade e, assim, o decrescimento econômico emerge como uma espécie de slogan político capaz de enfrentar o produtivismo e promover um abandono gradual da idéia de crescimento ilimitado.


Leia também:

Pour une société de décroissance
, Le Monde diplomatique (em francês); e, o
verbete na Wikipedia
(especialmente as referências).

A idéia que temos de decrescimento é a de um crescimento negativo. Essa idéia equivocada nos faz acreditar que “a mera diminuição da velocidade de crescimento mergulha nossas sociedades na incerteza, aumenta as taxas de desemprego e acelera o abandono dos programas sociais, sanitários, educativos, culturais e ambientais que garantem o mínimo indispensável de qualidade de vida”. Mas, o que Latouche propõe em seu Tratado, segue uma outra vertente, por assumir um outro ponto de vista.

Trata-se de uma proposta necessária para que volte a se abrir o espaço da inventividade e da criatividade do imaginário bloqueado pelo totalitarismo economicista, desenvolvimentista e progressista e, assim, a meta que o decrescimento propõe é a construção de uma sociedade em que se viverá melhor trabalhando e consumindo menos.

Para que possamos compreender essa idéia de decrescimento, faz-se necessário empreender o entendimento de um ciclo, conforme preconizado pelo autor:

  1. reavaliar;
  2. reconceitualizar;
  3. reestruturar;
  4. redistribuir;
  5. relocalizar;
  6. reduzir;
  7. reutilizar
  8. reciclar.

Grosso modo, podemos compreender esse ciclo a partir compreensão de que os valores que nortearam nossa sociedade no passado são incompatíveis com os desafio que o presente impõe.

A tese do decrescimento propõe, desse modo, cooperação, vida social e autonomia como valores indispensáveis e necessários à substituição de outros ultrapassados: competição desenfreada, o consumo ilimitado e a eficiência produtivista. Destarte, outra maneira de apreender a realidade se coloca e assim, o sistema econômico vigente precisaria ser reestruturado, assim como a redistribuição das riquezas provenientes dessa nova estrutura social que emergirá. Em conseqüência disso, possivelmente, acontecerá uma relocalização da produção em nível local que sugerem, por sua vez, a possibilidade de diminuição do impacto na biosfera por conta de nossas novas maneiras de produzir e consumir, inclusive pela valorização da reutilização e reciclagem.

LATOUCHE, Serge. Pequeno tratado do crescimento sereno. São Paulo: Martins Fontes, 2009.

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Brasilia, a revolta das tias velhas
03/03/2015 13h13 - em Meus pitacos
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Viva as tias velhas!*

Eduardo Cunha, presidente da Câmara, recuou da decisão de garantir passagem aérea para que as digníssimas senhoras dos deputados fizessem turismo semanal para Brasília. Há quem garanta que foi por conta da pressão popular.

Eu discordo e explico. Historicamente deputados não estão nem aí para a opinião pública. Dão, com relativa freqüência, banana para o que pensam os seus eleitores. Portanto, raramente seriam pressionados pela opinião pública. Assim, fica a questão: O que está por trás desse repentino recuo por parte do digníssimo deputado?

Minha hipótese conspiratória

Brasília é conhecida por uma proliferação considerável de ‘casas de sexo’, ‘prostíbulos’ ou, se preferirem, ‘casa das tias’. Se existe um hotel em Brasília, existe um ‘catálogo de meninas’ ou uma pequena ‘Vila Mimosa’ em seu em torno. Nem em Copacabana vi tantas ‘putas’ na rua! É claro que deputados não costumam escolher suas meninas nas ruas; é muito arriscado. Geralmente usam os tais ‘catálogos vips’, que geralmente são gerenciados por alguém com excelente trânsito nos corredores do congresso e muito bem distribuídos em alguns hotais. Na internet os sites de sexos em Brasilia são fartos! Esses catálogos são gerencioados pelas ‘tias velhas’ (ou cafetinas) modernas.

Agora imaginem o prejuízo para as ‘tias’ com a ida sistemática das esposas dos senhores deputados para a capital federal. Seria um prejuízo incalculável! Já ouvi casos, inclusive, de deputados que até nomearam ‘meninas’ em seus gabinetes para garantir o afago e companhia nas noites solitárias da capital da República das Bananas.

Portanto, se você acha que o recuo de Cunha (PMDB) sobre as passagens para as esposas foi por pressão popular, é melhor rever seus conceitos sobre o quanto sua opinião importa ou sobre a importância que as digníssimas esposas tem para muitos deputados; pois, em Brasília,  ao que tudo indica, puta vale (e sabe!) muito mais que esposa.

É ou não é uma hipótese conspiratória bastante  interessante para esse repentino recuo?


* Pitaco inspirado por um  post do Adriano de Souza Oliveira, via Facebook.
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O Aparelhamento do Estado pelo PT
26/02/2015 17h57 - em De olho em 2018
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#DeOlhoEm2018

O PT aparelhou o Estado?

Em uma dessas discussões do Facebook, sobre o eterno maniqueísmo entre PT e PSDB; ou seja, entre o sujo e o mal lavado, foi mencionado o APARELHAMENTO ESTATAL pelo Partido dos Trabalhadores.

Trata-se de um tema sempre muito polêmico quer se discuta com a direita ou com a esquerda. A primeira acusa o PT de ter aumentado o número de servidores público. A última se gaba de ter recuperado o desmonte neoliberal do Estado durante os anos de FHC.

Inicialmente é preciso esclarecer o que, para mim, é ou não é aparelhamento estatal. O termo “aparelhamento”, de modo geral, aplica-se à tomada de controle de órgãos ou setores da administração pública por representantes de grupo de interesses corporativos ou partidários, mediante a ocupação de postos estratégicos das organizações do Estado, de modo a colocá-las a serviço dos interesses do grupo (Dicionário Houaiss). Portanto, admissão de funcionários públicos por concurso – desde que não manipulado! – não pode ser considerado aparelhamento. Por outro lado, a criação e ocupação excessiva de ministérios, secretarias, empresas estatais ocupadas por cargos em comissão é considerada como aparelhamento.

Esclarecido o termo “aparelhamento” vamos à pergunta: O governo do PT aparelhou o Estado?

De 1990 a 2002, durante o governo FHC, a tendência era de queda no número de funcionários públicos ativos. O ano de 2002 foi particularmente marcante: apenas 30 funcionários foram admitidos por concurso público. Desde 2003, durante o governo Lula, a tendência tem sido de crescimento do número de funcionários públicos federais. As informações sobre esses números constam do site
Brasil Debate

Ja partir de fontes oficiais. No governo FHC, houve um decréscimo de 13,2% no número de servidores. No governo Lula, um aumento de 12,1%. Em 2008, mesmo com todos os concursos públicos realizados pelo governo Lula durante o tal “Fortalecimento da Capacidade do Estado”, tínhamos, de acordo com a Organização Internacional do trabalho (OIT), 60 servidores públicos por 1000 habitantes contra 251 para a Finlândia, 198 para o reino Unido e 142 para a Alemanha, por exemplo.



Por outro lado, durante o governo pestista (até 2013), os ministérios passaram de 35 a 39. Subordinados a eles, os ocupantes de cargos de livre nomeação no Poder Executivo passaram de 17,6 mil, no final de 2003, para 22,6 mil em outubro de 2013, segundo levantamento feito pela Folha de São Paulo. A multiplicação dos cargos em comissão está concentrada nos escalões mais altos, os mais utilizados nas negociações entre o governo e os partidos de sua base de sustentação. De acordo com a Folha, ao longo da administração petista, o número de ocupantes de DAS 4, 5 e 6 saltou 46% em uma década, chegando a 4.814. Nesse grupo estão os secretários de Estado, chefes de gabinete, assessores especiais e diretores.

Justiça seja feita, um decreto de 2005 determinou que pelo menos 75% dos ocupantes dos DAS 1, 2 e 3 e 50% dos DAS 4 devem ser servidores. Os cargos mais elevados não estão sujeitos a limites mínimos. Essa regra, porém, é generosa na definição dos que são considerados servidores: ativos ou inativos, de qualquer dos três Poderes, das três esferas do governo e das estatais. Ou seja, podem ser levados para Brasília, os militantes e aliados que são servidores em qualquer canto desse imenso Brasil.

Como fica demonstrando, embora por um lado, o PT tenha fortalecido a gestão do ponto de vista de recuperação da força de trabalho, contratando servidores através de concursos públicos; por outro, a falta de clareza na condução nas nomeações em livre comissão, nas contratações temporárias e precárias através fundações privadas (Fiotec, por exemplo, na saúde) e organizações internacionais (OPAS, também na saúde) nos conduz a uma certa uspeição quanto à vinculação políticas e ideológicas desses contratados.

Prestem atenção nesse recorte (acho que da Revista Veja):

Os números apresentados nessa ilustração, não devem ser tomado como verdadeiros. Apenas servem para a seguinte reflexão: embora a imprensa e o senso comum acabem vinculando o aumento de servidores públicos, feita genuinamente através de concurso público, como aparelhamento; este, de fato, acontece nas nomeações políticas através de cargos em comissão ou cooptação de servidores públicos.

A grande questão é, de que forma podemos ter controle sobre isso?
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Idéias para o próximo milênio
23/02/2015 16h23 - em Círculo Umanisté de Estudos
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Eduardo Castor Borgonovi* 
Agência Estado, em 1998


A ciência passa à frente da ficção e traça o esboço de um novo universo

Nos últimos anos deste século que vai se pondo no horizonte, as ciências passaram à frente da ficção. Hoje elas nos mostram coisas muito mais fantásticas do que puderam imaginar as mais criativas obras de ficção. Uma nova biologia, uma nova química, uma nova neurologia e uma nova astronomia nos vão ser reveladas plenamente no próximo século, limiar do novo milênio. Entre todas, entretanto, a física continua reinando no que diz respeito a uma nova concepção do universo e de nossa relação com ele.

Esta entrevista com David Bohm é um bom aperitivo disso. Bohm é considerado o principal teórico da Nova Física na atualidade. Seu primeiro livro "Causalidade e Acaso na Física Moderna" (1957) tornou-se um clássico no campo da mecânica quântica, sendo utilizado em larga escala nas universidades de todo o mundo, assim como suas outras obras, sobre relatividade e teoria quântica.

Doutorou-se em física pela Universidade da Califórnia, Berkeley, tendo sido aluno de Robert Oppenheimer, o pai da bomba atômica norte-americana. Deu aulas em Princeton, na Universidade de São Paulo e no Technon, de Haifa, Israel, antes de se tornar professor de física teórica na Universidade de Londres. Sua principal teoria, que até hoje repercute nos meios acadêmicos, é a da "Ordem Implícita". Essa teoria rebate as afirmações de alguns físicos quânticos, segundo as quais por baixo da realidade visível existe apenas o caos e a falta de continuidade das partículas. Para Bohm, existe, na verdade, uma grande ordem oculta ­ a sua Ordem Implícita ­ que atua sob esse aparente caos e é a fonte de toda a matéria visível no universo (Ordem Explícita).

Em outras palavras, Bohm sugere que o mundo em que vivemos é multidimensional. O nível mais óbvio e superficial é o mundo tridimensional dos objetos, espaço e tempo, que ele chama de Ordem Explícita. Sua matéria é densa e, para Bohm, não é fácil entendê-la com clareza. Infelizmente, diz ele, é nesse nível que muitos físicos trabalham hoje em dia, apresentando suas descobertas na forma de equações de significado obscuro.

Uma compreensão mais clara do universo, segundo a teoria de Bohm, só é possível avançando-se para um nível mais profundo ­ a Ordem Implícita, o fundo de nossa experiência física, psicológica e espiritual. Além de clara e profunda, a teoria de Bohm tem o valor de poder ser considerada a primeira, em todos os tempos, a revelar e provar, ao nível científico, algumas verdades seculares que apenas podiam ser aceitas e compreendidas pelos caminhos da fé.

A obra de Bohm é muito extensa, e às vezes de difícil acesso para leigos. Para que você possa apanhá-la em suas formas gerais, e para que tenha alguns bons pontos para imaginar como será nossa visão de mundo no próximo milênio, montamos esta entrevista imaginária com Bohm, onde as respostas para perguntas formuladas por nós vêm de trechos de suas obras, ou de entrevistas dadas no decorrer de sua carreira.


O senhor poderia explicar de forma sucinta sua teoria da Ordem Implícita?

Bohm: ­ Em geral, a ordem total do universo não pode se tornar manifesta para nós. Apenas um certo aspecto dela se manifesta. Quando essa parte se manifesta, temos uma experiência de percepção. Mas isso não quer dizer que a totalidade da ordem seja apenas aquilo que se manifesta.

O senhor também trata do tempo. De algum modo, sua visão de tempo é diferente da visão das ciências tradicionais. Como?

Bohm: ­ Passado e futuro são reflexos do presente. Podemos recordar o passado, mas a memória é presente. Podemos aguardar o futuro, mas a expectativa é presente. Portanto, tudo "é". Tudo é um grande presente. Assim, a pessoa "é" o seu futuro, desde já.

Como isso tem a ver com a criação do nosso universo?

Bohm :­ A idéia atual do universo pode representar algum estágio de um universo maior, um universo de luz. Até onde podemos perceber, esse universo de luz é eterno. Entretanto, a certa altura, alguns desses raios luminosos se juntaram e produziram a Grande Explosão, o Big-Bang. Isso desencadeou o nosso universo, que também terá um fim. Mas o universo de luz está além do tempo, razão pela qual devem existir outros universos. Devem existir várias idades, várias eternidades, embora não necessariamente em sucessão.

Na física cartesiana, o movimento é visto como uma entidade, um ponto, qualquer coisa, que se move de um ponto a outro. Na sua teoria, o movimento não seria de um ponto a outro, mas de manifestação a não-manifestação. Isto é, a ordem implícita se manifesta, depois deixa de se manifestar, depois volta a se manifestar, assim por diante. É isso?

Bohm: ­ Exato.

Por isso o senhor afirma que podem existir tempos diferentes, simultaneamente, ao contrário da ciência tradicional que vê o tempo como único, movimentando-se do passado para o futuro, passando pelo presente?

Bohm:­ Isso.

Como os cientistas "tradicionais" vêem a sua teoria?

Bohm: ­ Ela já é aceita. Mas eles dizem: "Para que serve? Não produz nada diferente daquilo que já fizemos. Só nos interessam resultados práticos". O resto, segundo eles, é filosofia e poesia.


[ O que penso não ser necessariamente ruim! ]

O espaço também é visto de forma diferente pela sua teoria.

Bohm: ­ Existem duas maneiras de conceber o espaço. Uma sustenta que a pele é o limite de nossos corpos, existindo um espaço exterior e um espaço interior. O interior é constituído pelo ente separado. O exterior é aquele que separa os entes separados. Certo? Para anular essa separação, para aproximarmos entes separados, precisamos recorrer a um movimento no espaço, que exige tempo. Isto é, precisamos percorrer um determinado espaço num determinado tempo. No entanto, ao contrário, podemos dizer que o espaço, realmente, é a base da existência e que estamos mergulhados nele. Desse modo, ele não nos separa, mas nos une. Nesse sentido, dizemos que não há pessoas separadas. Todas estão unidas pelo espaço.

O senhor falou num universo de luz, um universo maior que conteria outros universos como o nosso. A luz é muito ligada ao misticismo e às religiões. Primeiro fez-se a luz, diz, por exemplo, o Gênesis. Como a física moderna vê a luz?

Bohm: ­ Quando um objeto se aproxima da velocidade da luz, segundo a teoria da relatividade, seu espaço interno e seu tempo interno mudam. O relógio, por exemplo, se atrasa. A distância se encurta. De um modo geral, é como se a matéria fosse luz consolidada, congelada. O próprio Einstein teve vislumbres dessa idéia. Segundo ele, se você se deslocasse à velocidade da luz, de um extremo a outro do universo, sua idade não se alteraria absolutamente.

O senhor vive dizendo que viver de modo inteligente significa viver tão liberto do passado quanto possível.

Bohm: ­ A questão é atribuir ao passado o que lhe é legitimamente devido. No fundo, ele não é bom nem mau, apenas necessário. Quando ele é valorizado demais, torna-se dominante e interfere na criatividade. O passado deve estar pronto a morrer, quando já não serve mais. Como, no entanto, muitas vezes ele é necessário, a melhor maneira de conviver com ele é usando a inteligência. Não devemos nem ignorar o passado, nem permanecer aferrados a ele. Se algo do passado começa a provocar conflito e confusão, deve ser posto de lado.

Mas, quando falamos em usar a inteligência, pressupomos pensamento. E o pensamento também não parece ser algo muito claro, diante das teorias na física moderna.

Bohm: ­ Hegel julgava o pensamento fundamental e considerava a natureza um espírito que se revela a si próprio, uma autoconsciência da natureza. Marx inverteu tudo e declarou que a matéria, sim, é fundamental, sendo a consciência uma matéria que se revela a si própria. É também possível considerar-se que nem matéria nem espírito são fundamentais, mas que essa característica pertence a alguma coisa desconhecida, que se poderia denominar nível profundo ou implícito. Inclino-me mais para esta concepção.

Já que o senhor diz que o nível implícito, ou ordem implícita, é a fonte de toda a manifestação, podemos supor que o universo pensa, ou algo assim?

Bohm: ­ Sim, podemos dizer que sim. O universo tenta uma variedade de formas. A seleção natural explica como as coisas sobrevivem depois de sua emergência ou aparição, mas não explica porque tantas formas apareceram. Parece existir uma tendência a produzir estruturas e formas, sendo a sobrevivência ou seleção natural um mero mecanismo que escolhe as formas destinadas a durar. Toda forma incompatível consigo mesma ou com o meio ambiente está fadada ao desaparecimento. Penso, assim, que o universo aprende.

E como o senhor entende que o universo produz suas formas?

Bohm: ­ Um exemplo: a semente. Energia e nutrientes vêm do sol, do ar, da terra, da água e do vento, mas a própria semente tem pouquíssima energia. No entanto, possui a forma da planta e essa minúscula energia ou forma se imprime em todos os outros fatores para produzir a planta. Essa pitada de energia governa, de algum modo, o desenvolvimento subseqüente, de forma que o sistema inteiro se destina à produção de uma planta, e não de um cão, um gato ou outra coisa qualquer. [Valeria a pena conhecer a teoria dos campos mórficos e da ressonância mórfica de Sheldrake]

Então, devemos supor que a natureza tem inteligência, ou alguma forma de inteligência.

Bohm: ­ Sim. Pensamento e matéria são ordens muito parecidas. Podemos dizer que a natureza ou a matéria também são criatividade e pensamento intuitivo. Assim, num certo sentido, a natureza tem vida. E inteligência. Ela é mental e material. Como nós. Se alguém é percebido como inimigo, a matéria se organiza de maneira diferente do que o faria se se tratasse da percepção de alguém amistoso. O elétron faz praticamente o que nós fazemos, ao reagir a uma determinada situação. Ele observa o ambiente.

* Leitura recuperada a partir
Anexo Catarinense.

** A Editora Contraponto, lancará em breve (Abril, 2015) o livro "Causalidade e acaso na física moderna", de David Bohm

>> Mais David Bohm aqui no blog.
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A Ciência do Comum, de Muniz Sodré
20/02/2015 11h31 - em Leituras sociológicas
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Dica de leitura.

Muniz Sodré é um daqueles pensadores que não se pode deixar de conhecer. O professor-titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro possui dezenas de livros publicados. Obras que falam de mídia e comunicação, cultura nacional, técnicas de texto jornalístico e ficção, como novelas e contos.

Apesar de sua vasta obra, uma em especial merece atenção. Trata-se de “A ciência do comum –– notas para o método comunicacional”. Nela, o professor argumenta a “velocidade não é hoje mero fenômeno físico, mas uma transformadora relação entre os fenômenos, que tem na aceleração o valor maior do sociuscontemporâneo”. Para ele, “a comunicação instantânea, simultânea e global que refaz virtualmente a geografia do planeta, deslocando os sujeitos e os objetos de seus lugares tradicionais, desestabilizando as interações humanas e demandando formas novas de inteligibilidade”.

O ponto central dessa obra incide sobre a égide do capitalismo financeiro na reorganização da cultura clássica, com vistas à adaptação tecnológica das relações sociais ao ritmo acelerado das interações técnicas e à sincronização dos afetos num espaço global temporalmente comprimido. Para Sodré, “isto implica uma expropriação ou uma neutralização do comum tradicional”.

Na perspectiva do autor, “o imperativo acadêmico de se buscar numa síntese positiva, numa “ciência do comum”, o resgate filosófico, ético e político da potência reflexiva do campo comunicacional, do qual se faz ausente um consenso intelectual quanto a grandes ideias capazes de reorientar o pensamento social”.

A Ciência do Comum é – ao menos deveria ser! – uma leitura de fundamental importância para os que pretendem aprofundar-se em estudos e debates sobre comunicação.

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Boa leitura!

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